A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, disse em entrevista ao
Estadão que a revisão do foro privilegiado para parlamentares favorece a Lava Jato e defendeu todas as outras medidas consideradas fundamentais pela força-tarefa para o êxito da operação: delação premiada, prisões preventivas e execução de pena após condenação em segunda instância. Nenhuma delas é unanimidade no STF.
A ministra, porém, alertou contra excessos: "A corrupção precisa ser combatida, e a lei, cumprida. Em nome do combate à corrupção não se pode atropelar a Constituição nem a lei".
Alvo de ataques pelo desempate no julgamento que delegou ao Legislativo autorizar ou não a suspensão de mandatos, Cármen fez uma autocrítica. Admitiu que seu voto foi "extremamente conturbado": "Não consegui dar clareza ao princípio de que não se pode romper a separação de Poderes".
Isso, porém, não justifica os deputados do Rio usarem o julgamento do STF para soltar três colegas: "Confundiram para confundir".