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Política em Foco Política

'O PSDB não está mais na base do governo', diz Padilha

Mais tarde, Temer negou a afirmação do ministro; Padilha ponderou que presidente poderá manter nomes de sua cota pessoal

29/11/2017 15h25 Atualizada há 9 anos atrás
Por: Redação Fonte: Estadão Conteúdo
'O PSDB não está mais na base do governo', diz Padilha

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou nesta quarta-feira, 29, que o governo não conta mais com o PSDB em sua base de sustentação. Depois, no entanto, minimizou a afirmação e foi desmentido pelo presidente Michel Temer.

"O PSDB não está mais na base de sustentação do governo federal. O PSDB já disse que vai sair. Nós vamos fazer de tudo para manter a nossa base de governo e um projeto único de poder para 2018", disse Padilha. Depois, completou que "caberá ao presidente Michel Temer fazer as alterações" nas pastas comandas pelos tucanos.

Abordado mais tarde por jornalistas, Temer acenou negativamente sobre o desembarque do PSDB. Em outro evento na tarde desta quarta, Temer fez um breve discurso, saiu do local evitando a imprensa e fez sinal de positivo. Quando jornalistas questionaram se o gesto significava que os tucanos haviam saído do governo, o presidente parou e energicamente fez o sinal de negativo com os dedos.

Padilha afirmou que, mesmo que a sigla abra a mão dos cargos na Esplanada, o presidente poderá manter quadros da legenda como nomes de sua cota pessoal. "Uma coisa é um ministro que está no governo representando um partido. Outra coisa é o presidente manter alguém como representante de sua cota pessoal", disse. 

O ministro, entretanto, evitou responder se o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), que na semana passada chegou a ser anunciado no cargo do tucano Antonio Imbassahy(Secretaria de Governo), ainda vai assumir a articulação do governo.

O ministro fez questão de reforçar que “nomear ou demitir ministro” é uma questão que cabe exclusivamente ao presidente da República. “Presidente saberá momento em que fará alteração no seu ministério independentemente da posição do PSDB”, afirmou.

Segundo ele, a única condição para o PMDB apoiar um candidato a presidente é que o partido defenda o legado do presidente. "Não estamos excluindo ninguém, mas estamos colocando uma condição", disse. "Se o candidato do PSDB disser que defende o legado do presidente, há a possibilidade de uma aliança", acrescentou.

DELAÇÕES

Questionado se o governo teme uma eventual delação do ex-ministro Geddel Vieira Lima, Padilha disse que o presidente Michel Temer tem dito que não tem nenhum temor em relação a delações. “Não vejo de parte do ex-ministro Geddel Viera Lima, não vejo indicador de delação, mas o presidente disse que esta absolutamente tranquilo em relação a qualquer tipod e delação”, afirmou.

A Polícia Federal apontou um elo entre supostos pagamentos de propina do Grupo J&F e o bunker dos R$ 51 milhões atribuído ao ex-ministro Geddel Vieira Lima e a seu irmão, o deputado federal Lúcio Vieira Lima, ambos do PMDB da Bahia. As informações constam de relatório apresentado na terça-feira, 28, que imputa aos peemedebistas os crimes de associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Geddel fazia parte do núcleo próximo do governo e é amigo do presidente e do ministro há mais de 30 anos.

REELEIÇÃO

Padilha ainda disse que o presidente Michel Temer "não tem pretensão" de disputar a reeleição em 2018, "mas sim de cumprir bem o seu mandato". Mas, diante da insistência dos jornalistas sobre essa possibilidade, o ministro fez uma ressalva ao usar a expressão "por enquanto". Ao responder sobre as dificuldades enfrentadas pelo governo para conseguir colocar o País nos trilhos, ainda neste mandato, o ministro declarou: "o presidente Temer diz, desde sempre, que sua missão é colocar o País nos trilhos. Por enquanto, o que posso dizer é que o que ele disse é que cumpriria, por inteiro, a sua missão de colocar o Brasil nos trilhos".

Questionado sobre as dificuldades de se concretizar uma aliança do PMDB com o PSDB para a disputa à Presidência em 2018, o ministro Padilha reconheceu que existem problemas, embora diga que não descarta que isso possa acontecer, "se o partido defender o legado do governo Michel Temer". De acordo com o ministro Padilha para as eleições presidenciais de 2018, o PMDB "tem uma condição" para apoiar outro partido na disputa ao Planalto. Segundo ele, este partido "deverá estar alinhado com quem defenda o governo do presidente Michel Temer".

E reiterou: "o presidente tem conversado com os presidentes dos partidos que hoje formam a base de sustentação e a ideia é termos, dentro desse conjunto da base de sustentação do governo, candidatura que possa representar esse legado". Ao ser indagado se isso incluiria o PSDB, o ministro respondeu: "se o candidato do PSDB disser que defenderá o legado Temer, abre-se a possibilidade. Não estamos excluindo ninguém". De acordo com Padilha, o PMDB "não precisa ter candidato próprio" às eleições de 2018.

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