Os 14 membros restantes votaram a favor da resolução esboçada pelo Egito, que não mencionou especificamente os Estados Unidos ou Trump, mas expressou “profundo desapontamento com decisões recentes acerca do status de Jerusalém”.
Relação de nomes
A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, em uma carta enviada ontem a dezenas de Estados da ONU alertou que Trump havia lhe pedido para informar “sobre os países que votaram contra nós”. Ela ecoou sem rodeios este pedido no Twitter: “Os EUA irão anotar nomes”.
Diversos diplomatas seniores disseram que o alerta de Haley não deve alterar muitos votos na Assembleia Geral, onde tais ameaças públicas e diretas são raras.
Miroslav Lajcak, presidente da Assembleia Geral, se negou a comentar sobre as afirmações de Trump, mas acrescentou: “É direito e responsabilidade dos Estados membros expressarem suas opiniões”. Um porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, também se negou a comentar sobre as afirmações de Trump.
“Eu gosto da mensagem que Nikki enviou ontem nas Nações Unidas, para todas aquelas nações que recebem nosso dinheiro e então votam contra nós no Conselho de Segurança, ou votam contra nós possivelmente na assembleia”, disse Trump.
Reversão
Donald Trump reverteu abruptamente décadas de política externa dos EUA este mês quando reconheceu Jerusalém como capital de Israel, gerando irritação para palestinos e o mundo árabe e preocupação entre aliados ocidentais de Washington.
Ele também planeja transferir a embaixada norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém. O esboço de resolução da ONU pede para todos os países se absterem de estabelecer missões diplomáticas em Jerusalém.
Um diplomata sênior de um país muçulmano, falando em condição de anonimato, disse sobre a carta de Nikki Haley: “Estados recorrem a este tipo flagrante de “bullying” [molestamento] somente quando sabem que não possuem argumento moral ou legal para convencer outros”.