De volta a Brasília, onde prepara sua mudança para o Rio de Janeiro, o ex-ministro da Secretaria da Presidência Gustavo Bebianno disse nesta quarta-feira (13), que o presidente Jair Bolsonaro "está sob forte pressão emocional desde a facada que recebeu". "Sofreu muito durante toda a campanha e, agora, enfrenta toda a pressão inerente ao cargo."
Evitando holofotes desde sua saída do governo, Bebianno falou ao jornal O Estado de S. Paulo que ainda mantém "carinho e lealdade" pelo presidente, com quem conviveu nos últimos dois anos. "Minha amizade e respeito por ele continuam os mesmos. Ele tem o meu carinho e lealdade." O ex-ministro considerou ainda como "grande equívoco" o episódio que levou a sua queda em 19 de fevereiro. "Tudo o que aconteceu no meu episódio foi um grande equívoco. Mas o tempo é o senhor da razão", disse.
Bebianno deixou o governo após perder uma queda de braço com o vereador fluminense Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, que culminou no vazamento de áudios enviados pelo WhatsApp. O ex-ministro também se viu envolvido em acusações de supostas irregularidades nas campanhas eleitorais do PSL, partido que presidiu em 2018. Em seu lugar no ministério, assumiu o então secretário executivo, general Floriano Peixoto.
Na conversa com o jornal, Bebianno não quis comentar seus planos futuros. Aliados dele dizem que o retorno ao Rio pode não ser definitivo.
Advogado, Bebianno foi sondado por escritórios de advocacias em Brasília. Porém, para voltar a advogar, terá de esperar vencer o período de quarentena aplicado pela Comissão de Ética Pública da Presidência. Por ter tido acesso a informações privilegiadas, ele tem que ficar seis meses longe da iniciativa privada, recebendo salário de ministro de Estado.
Antes de participar da campanha de Bolsonaro, Bebianno trabalhou em um dos maiores escritórios de advocacia do País, com sede no Rio de Janeiro.
Outros ministros endossam o discurso de que Bolsonaro vive pressão emocional após o atentado. De forma reservada, um interlocutor do presidente diz que a interferência familiar tem influenciado também nas redes sociais de Bolsonaro.
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