O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (19), em um café da manhã com jornalistas de veículos internacionais, que falar que existe fome no Brasil “é uma grande mentira”.
O discurso foi transmitido ao vivo em sua página no Facebook (veja vídeo abaixo). Nele, Bolsonaro defendeu que “não se vê gente, mesmo pobre, pelas ruas, com físico esquelético” como há em outros países do mundo.
“O Brasil é um país rico para praticamente qualquer plantio. Fora que passar fome no Brasil é uma grande mentira. Passa-se mal, não come bem, aí eu concordo. Agora, passar fome, não. Você não vê gente, mesmo pobre, pelas ruas, com físico esquelético, como a gente vê em alguns outros países pelo mundo”, disse.
O presidente questionou, ainda, o “discurso populista”, que segundo ele, tem sido adotado no país desde o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
“Adotou-se no Brasil que distribuição de riqueza é criar bolsas. É o país das bolsas, mas o que se faz tirar o homem ou a mulher da miséria é o conhecimento”, defendeu, acrescentando que “esses políticos que criticam a questão da fome no Brasil, no meu entender, tem que estudar mais as consequências disso dai”.
Em seguida, Bolsonaro cita “o exemplo de Israel” para explicar o porque não há fome no país. “Eu estive em Israel, lá a precipitação é menor que no sertão nordestino. Com tecnologia eles conseguem, não só garantir a sua segurança alimentar, como exportar parte para a Europa”, afirmou.
Em seguida, diz que seu papel, como presidente, e em acordo com o Legislativo é facilitar a vida do empreendedor que quer produzir. “Não fazer esse discurso populista voltado para a massa, que nos conduzirá a uma situação semelhante à da Venezuela”.
A pergunta foi feita por uma repórter do El País em referência a uma fala de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, em entrevista publicada pelo jornal espanhol nesta quinta-feira (18). “O governo vai precisar pensar nas políticas de proteção para os brasileiros mais pobres. A pobreza e a desigualdade aumentaram, voltamos a ter fome de novo no Brasil. Cabe ao Governo fazer o tipo de políticas para gerar um colchão nesse ‘não crescimento da economia'”, afirmou o parlamentar.
O Bolsa Família é reconhecido internacionalmente como um caso de sucesso em política de combate à pobreza pelo seu foco nos segmentos mais vulneráveis da população. Mas estudos recentes apontam que apesar dos avanços, a fome não é um problema erradicado no Brasil e voltou a crescer após a recessão.
O documento Estado da Insegurança Alimentar e Nutricional no Mundo, lançado por cinco agências da Organização das Nações Unidas (ONU), estima que entre 2016 e 2018, algo na faixa de 2,5% da população do Brasil passou por insegurança alimentar. Esse número corresponde a cerca de 5,2 milhões de pessoas.
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