A campanha do Bahia no Campeonato Brasileiro chama a atenção. Sexto colocado, o tricolor entrou na zona de classificação para a Libertadores de 2020 ao vencer o Avaí por 2x0, na noite de segunda-feira, e a cada rodada deixa o objetivo mais real. Nesse grande momento que o time atravessa, um setor tem sido pilar fundamental: o sistema defensivo.
A vitória em Florianópolis marcou o 12º jogo do tricolor sem sofrer gol em 22 disputados no Brasileirão. Ou seja, o Esquadrão não foi vazado em mais da metade dos jogos (54,5%) que fez na Série A.
“Temos 12 jogos sem sofrer gol. Sempre digo aos atletas que, se eu estou com zero no placar, tenho mais chance de vencer”, comentou o técnico Roger Machado sobre a fase do sistema defensivo.
Dois jogadores têm se destacado nos números. O primeiro é o goleiro Douglas. Terceiro colocado em número de defesas difíceis no Brasileirão, com 25 intervenções – perde para Jordi, do CSA, e Felipe Alves, do Fortaleza -, o goleiro tricolor lidera entre os atletas com o maior número de partidas sem ser vazado.
Douglas esteve em campo em todos os 12 jogos em que o adversário passou em branco contra o Bahia. Na sequência da lista aparecem Cássio (Corinthians) e Weverton (Palmeiras), com nove cada, Jordi (CSA) e Tiago Volpi (São Paulo) com oito, e Diego Alves (Flamengo), Tadeu (Goiás) e Marcelo Lomba (Internacional), todos com sete.
O outro é o zagueiro Lucas Fonseca. O defensor foi titular nos 22 jogos que o Bahia fez e passou todo o primeiro turno sem receber um cartão amarelo sequer.
A eles se soma a boa fase vivida pelo lateral direito Nino Paraíba e pelo zagueiro Juninho, contratado em julho e titular absoluto desde então, além da marcação reforçada desde o ataque, com ênfase nos volantes Gregore e Flávio e nos pontas Artur e Élber.
Para se ter uma ideia do feito do Bahia, até aqui 58% dos times do Brasileirão não balançaram as redes do tricolor. Só nove dos 19 rivais comemoraram pelo menos um tento contra o Esquadrão.
'Zagueiro bom é zagueiro protegido'
Em número gerais, a defesa do Bahia também tem feito bonito na comparação com os outros clubes. O tricolor é quarto menos vazado da Série A, com 18 gols sofridos, média de 0,81 por partida. O time de Roger Machado fica atrás de Corinthians (13), São Paulo (15) e Palmeiras (17).
Os números de 2019 são os melhores do clube em uma edição de Série A por pontos corridos. No ano passado, por exemplo, na 22ª rodada o Bahia já havia sido vazado 28 vezes, dez gols a mais do que no mesmo momento da atual edição.
Desde que o Brasileirão passou a ser disputado sem o formato mata-mata, em 2003, a média de gols sofridos do Bahia é de 25 nos primeiros 22 jogos.
Para o técnico Roger Machado, além do grande momento técnico pelo qual os jogadores da defesa estão passando, o baixo número de gols sofridos é explicado pela proteção dada pelo meio-campo e ataque ao sistema defensivo. “Zagueiro bom é zagueiro protegido. Quanto menor a exposição fora do eixo central do campo, onde ele pode nos oferecer o que tem de melhor, com sua qualidade, mais eficiente ele vai ser. Então a ideia é sempre proteger o zagueiro na medida do possível, para que ele use as suas virtudes a nosso favor. Isso tem acontecido. Agora o que cobro deles e quero é um golzinho de cabeça no escanteio ofensivo, que ainda não saiu”, disse o treinador.
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