Versão para o cinema do grupo de anti-heróis da DC, Esquadrão Suicida (David Ayer/2016) tem alguns pecados. Mas a escolha de elenco, definitivamente não é um deles. Todos os atores, de uma forma ou de outra, se ajustaram aos personagens originários dos quadrinhos - menos o Coringa de Jared Leto, uma farsa ‘real oficial’. Mas, o que foi aquela Arlequina de Margot Robbie?
A atriz australiana de 29 anos defendeu sua personagem com tanta verdade que a distanciou da primeira aparição na série animada, criada para a televisão por Paul Dini e Bruce Timm, em 1992, em que era capacho do Coringa. Quase não vemos em Robbie influência da Arlequina da graphic novel Louco Amor, vencedora do Prêmio Eisner em 1994.
O sucesso foi tanto que a atriz lutou por um filme solo para a palhaça mais sexy, cínica e sádica do mundo do crime. Produziu e levantou todas as bandeiras que pode pra lançar Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, filme dirigido por Cathy Yan.
Liberdade - A história tem a própria Arlequina como narradora - recurso engraçado por vezes, já que ela fala uma coisa e nós vemos outra, completamente diferente. O ponto de partida é o fim do seu relacionamento com o Coringa. Mas, apesar de carregar o status de primeira dama do crime de Gothan por um tempo, ela percebe que precisa criar asas e formar sua própria gangue - de mulheres, claro. Por que continuaria servindo de escada para homem?
Nesse ponto, começamos a conhecer a história individual de cada uma das ‘aves de rapina’, recurso também utilizado em Esquadrão Suicida. Mas, agora, numa versão bem mais psicodélica e ‘purpurínica’, quase uma página daqueles álbuns da bonequinha LOL.
Surgem, então, a lutadora Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), a cantora Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell) e a policial Renée Montoya (Rosie Perez). Suas histórias são contadas de forma independente, até que algum momentose cruzam com Arlequina. A questão aqui é que tudoprecisa estar bem costurado, até para justificar a formação do grupo das vingadoras. Infelizmente, a diretora sino-americana não consegue entregar a coerência necessária para consolidar a jornada da Arlequina na divertida versão ‘vigilante’.
Cabe aqui uma curiosidade pertinente ao universo em quadrinhos: a líder das Aves de Rapina sempre foi a Batgirl, alter ego de Barbara Gordon (filha do Comissário Gordon), que nem é citada neste filme. Nas HQs, as Aves de Rapina apareceram apenas em 1996, mas as raízes para a sua criação surgiram em A Piada Mortal, clássica história do Batman publicada no fim da década de 1980 pelo gênio Alan Moore.
Na HQ, o Coringa decide provar sua teoria de que basta um dia ruim para enlouquecer alguém, e no processo invade a casa do Comissário Gordon, atira em Barbara Gordon, a Batgirl, e deixa a heroína paraplégica.
Feminismo - Cada vez mais bem vista em Hollywood, Margot Robbie está no elenco de dois filmes concorrentes ao Oscar: Era Uma Vez em Hollywood (Quentin Tarantino) e O Escândalo (Jay Roach, pelo qual foi indicada como atriz coadjuvante). Em seus discursos, Robbie vem exaltando o poder da muher na indústria do cinema: “Nós nos sentimos seguras umas com as outras. Apoiadas, abertas, e para mim tem sido libertador”.
Rapinas
Coragem - Margot Robbie dispensou dublê e fez suas próprias cenas de ação, presa em cabos de segurança. Harley Quinn (no Brasil, Arlequina) tem uma ex-namorada no filme.
Econômico - A produção teve um orçamento de US$ 97,1 milhões - menor do que a maioria dos filmes baseados no universo DC. Liga da Justiça, por exemplo, custou US$ 300 milhões.
Estreia - A diretora Cathy Yan é a primeira mulher asiática a dirigir um filme de super-heróis. Ela nasceu
na China e cresceu entre Hong Kong e Washington, nos EUA.
Ação - O filme é repleto de ação. Por isso, as atrizes passaram meses fazendo treinamento físico intenso. Mas, no fim do dia, elas saiam para tomar piña colada.
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