"Estamos tendo problema nesse vírus aí, o coronavírus. O mundo todo está sofrendo. As Bolsas estão caindo no mundo todo, com raríssimas exceções. O dólar também está se valorizando no mundo todo, e no Brasil o dólar está R$ 4,40. A gente lamenta, porque isso aí, mais cedo ou mais tarde, vai influenciar naquilo que nós importamos, até no pão, o trigo. Vai influenciar", disse durante transmissão ao vivo nesta quinta.
O presidente disse ainda que tem falado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o caso, mas negou que interfira na atuação do Banco Central, responsável pela política monetária e comandado pelo Roberto Campos Neto.
"Tenho falado com o Paulo Guedes, eu não interfiro na questão do Banco Central, quando vende dólar ou não vende, eu não interfiro. Falo com o Paulo Guedes se a política é essa mesmo e eu tenho que confiar nele. E vou continuar confiando nele, ele faz a política econômica, ele que entende do assunto. O problema agora do dólar, a culpa é do coronavírus, paciência", disse.
Nesta quinta-feira (27), o dólar fechou em alta de 0,6%, a R$ 4,477, novo recorde nominal (sem levar em conta a inflação).
Na máxima da sessão, o dólar superou os R$ 4,50 pela primeira vez na história. Dentre as principais moedas globais, o real teve o terceiro pior desempenho do pregão. No ano, a divisa brasileira tem a pior performance, com queda de 11,5% ante o dólar.
O surto da doença, que já tem pelo menos um caso confirmado no Brasil, também levou à queda do Ibovespa. A Bolsa brasileira fechou em baixa de 2,6% –a quarta seguida– a 102.983 pontos, menor patamar desde 10 de outubro de 2019.
Ainda nesta quinta, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou que o coronavírus pode afetar também o crescimento global neste ano e o preço das commodities. Ele afirmou que é preciso esperar para saber quais serão os efeitos no Brasil, mas reconheceu que o país pode ser afetado.
"O que está todo mundo em dúvida é qual vai ser o impacto do coronavírus no crescimento mundial. Se a gente tiver uma queda muito forte na projeção de crescimento mundial, ele passa a ser um fenômeno mundial e afeta todo o mundo, e o Brasil também", disse.
"O risco é tanto no preço de commodities como no crescimento menor do mundo. A gente tem que observar e estar preparado", afirmou.
O Ministério da Economia está monitorando o avanço do contágio e seus possíveis impactos na economia. Nas próximas semanas, o time de Paulo Guedes (Economia) deve divulgar um relatório com a nova projeção para o PIB de 2020 (hoje em 2,4%).
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