O futuro governo Lula tem se debruçado sobre um problema que vai ficar como herança maldita da gestão Bolsonaro: uma dúvida de R$ 5 bilhões com organismos internacionais. A informação foi publicada nesta quinta-feira, 24, pela coluna de Jamil Chade, do UOL.
A equipe de transição no Itamaraty tem estudado como resolver essa pendência e evitar que o Brasil perca o direito ao voto em diversas instituições, como a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).
Segundo a apuração, já foi solicitado levantamento detalhado de todas as contas a pagar pelo Brasil em entidades como a ONU, bancos regionais, tratados ou mecanismos internacionais.
O balanço será apresentado amanhã e, a partir daí, o diplomata Audo Faleiro e os ex-chanceleres Celso Amorim e Aloysio Nunes, entre outros, vão avaliar quais débitos devem ser sanados de forma mais urgente.
Para isso, o novo governo terá de negociar com o Congresso a liberação de recursos e quitar pelo menos parte dessas contas.
Questionado, o Itamaraty explicou que os "repasses referentes a contribuições a organismos internacionais são de competência do Ministério da Economia".
"As dívidas do Brasil junto à FAO incluem valores em dólares norte-americanos e em euros, e seu pagamento, assim como as demais ações orçamentárias, está sujeito a restrições fiscais que se impõem ao orçamento federal, dentro dos montantes previstos na Lei Orçamentária Anual".
José Graziano da Silva, ex-ministro do governo Lula e considerado o pai do programa Fome Zero, que já dirigiu a FAO, criticou o governo Bolsonaro por causa da dívida bilionária.
“Essa é uma situação inaceitável. Neste momento em que o Brasil busca se reinserir no mundo, a FAO tem um valor simbólico. É ali que vai se debater as medidas de combate à fome no mundo. O Brasil terá muito a contribuir e muito a receber", disse.
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