A Polícia Federal (PF) determinou, na última quinta-feira (16), que seja instaurado um inquérito para investigar denúncias de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) usou um sistema secreto para monitorar celulares de milhares de brasileiros durante os três primeiros anos do governo Jair Bolsonaro. A ação foi determinada pelo ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB).
Sem nenhum protocolo oficial, a ferramenta permitia que fossem monitorados os passos de até 10 mil proprietários de celulares a cada 12 meses, apenas a partir da inserção do número de um contato telefônico no programa. A informação foi publicada pelo jornal O Globo na última terça-feira (14) e confirmada pela Abin no dia seguinte.
“Tal ferramenta permitiria a obtenção, pela agência, de informações relacionadas aos usuários dos dispositivos móveis que por lei só podem ser acessadas pelas polícias judiciárias, mediante autorização judicial. A investigação está em sigilo e será conduzida pela Diretoria de Inteligência da Polícia Federal", informou a PF.
A investigação buscará responder quem foi monitorado, em qual período e o motivo e para quem serviriam essas informações. Além disso, a PF quer saber se foram feitos relatórios e onde estariam esses documentos elaborados.
As irregularidades teriam ocorrido entre 2019 e 2021, quando a Abin era vinculada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo então ministro, General Augusto Heleno. Desde o início deste mês, a agência passou a ser vinculada à Casa Civil.
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