O governo federal anunciou, na última quinta-feira (29), que vai mudar o regime de metas de inflação, vigente há 24 anos. A decisão é do Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
A meta atualmente segue o ano calendário e tem que atingir o objetivo de janeiro a dezembro de cada ano. Agora, o Banco Central terá de atingir o patamar da inflação de forma contínua, não mais anual. A mudança acontecerá a partir de 2025.
O CMN definiu também que o patamar de inflação será de 3% para 2024 e os dois anos seguintes. A meta será considerada atingida se ficar dentro do intervalo de 1,5 ponto percentual de tolerância para mais ou para menos.
Nos últimos meses, o presidente do Banco Central tinha se tornado alvo de críticas do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por conta do patamar atual de juros. No anúncio, Haddad afirmou que essa mudança era uma decisão do governo e não do CMN.
"Essa decisão [sobre o sistema de metas] não cabe ao CMN. O que fiz hoje foi comunicar uma decisão de governo, que é de competência do presidente da República", disse Haddad.
Segundo o ministro da Fazenda, há ainda grande expectativa de que o governo faça, a partir do mês de agosto, cortes expressivos na taxa Selic. "Nós temos todas as razões para crer que vem um ciclo consistente de cortes nas taxas de juros. Nós temos uma expectativa que esse ciclo comece a cair a partir de agosto", informou.
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