O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que deve fazer mudanças no governo após a Cúpula da Amazônia, que terá início na próxima semana. O mandatário foi entrevistado, na manhã desta quinta-feira (3/8), por um pool de rádios dos estados amazônicos e disse que, apesar das mudanças estarem certas, “não está definido onde ele irá mexer”.
“Nós vamos fazer ajustes, porque temos interesse de formar maioria (no Congresso) até o fim do governo para que possamos votar as coisas importantes do governo. As trocas de ministros não podem ser vistas como uma coisa absurda ou menor. É muito importante. Temos partidos muito importantes que querem participar do governo e fazer parte da base”, destacou Lula na transmissão.
Assim como afirmou na terça-feira (1º/8), durante o Conversa com o Presidente, o chefe do Executivo declarou que terá conversas com líderes partidários em breve.
“Vamos conversar com esses partidos. Não estou com pressa, as pessoas sabem que eu vou fazer e sabem que o presidente da República tem de tomar muito cuidado, porque, quando você mexe no tabuleiro, não pode mexer numa peça errada ou colocar uma peça errada. Por isso, eu trato com muito carinho isso”, acrescentou o presidente.
“É verdade que eu vou fazer mudanças, mas isso ainda não tá definido qual ministério que eu vou entregar ou qual estado que vai ser beneficiado. Quando eu voltar do Pará, eu vou definir”, completou.
Paira sobre o governo, há meses, a fumaça da reforma ministerial: há, pelo menos, quatro ministérios na mira de partidos do Centrão, como PP e Republicanos, siglas com as quais o governo tem negociado cargos na Esplanada.
O PP quer a gestão de pautas consideradas estratégicas, como é o caso do Ministério da Saúde, chefiado por Nísia Trindade, e do Ministério do Desenvolvimento Social, de Wellington Dias. As duas pastas recebem grande parte das emendas parlamentares. O presidente Lula, porém, anunciou publicamente que as duas pastas são suas e que trocas nos comandos desses ministérios não devem ocorrer.
O Republicanos tem demonstrado interesse em assumir a chefia do Ministério do Esporte, de Ana Moser, ou do Ministério da Ciência e Tecnologia, de Luciana Santos.
Além disso, as trocas devem afetar a Caixa Econômica Federal e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O banco público, pelas contas do Centrão, rifaria Rita Serrano para abrigar o ex-ministro Gilberto Occhi, indicado pelo PP.
A recém-recriada Funasa, que conta com orçamento bilionário, é disputada por PP e União Brasil. O Planalto, porém, insiste que o comando do órgão será entregue a um nome técnico e de carreira. Outro pedido do Centrão é a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), hoje chefiada por Marcelo Freixo (PT), aliado próximo de Lula.
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