A reunião desta terça-feira (15) da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro trouxe uma revelação de Adriano Machado, fotógrafo da Agência Reuters, que reforça a tese da oposição de que o atual governo foi omisso durante os atos de vandalismo, mesmo tendo os meios para evitá-los.
Ao responder às indagações de deputados e senadores, a testemunha confirmou ter visto um contingente da Força Nacional postado no estacionamento do Ministério da Justiça, sede da corporação, enquanto transcorriam invasões e depredações na Praça dos Três Poderes. “Quando passei por lá, percebi que tinha uma força de segurança próxima”, disse ele, acrescentando que suas fotos desse efetivo foram transmitidas à agência.
A declaração gerou reações imediatas por parte dos membros da oposição, que planejam apresentar requerimentos para obter fotografias registradas pela Reuters que evidenciariam a inatividade dos agentes subordinados ao ministro da Justiça, Flávio Dino. Os parlamentares também expressaram seu descontentamento com a continuidade da resistência de Dino em atender aos requerimentos aprovados pela CPMI com respaldo do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro se nega a disponibilizar do conjunto completo de imagens capturadas pelas câmeras de segurança do seu ministério, tendo até agora compartilhado apenas o conteúdo de duas.
O depoimento de Adriano Machado e a negativa de Flávio Dino em cooperar elevaram a pressão por parte dos membros da oposição para receber mais informações e esclarecimentos sobre a atuação do governo federal no contexto dos eventos ocorridos em 8 de janeiro. Para eles, a pergunta sobre “onde estava a Força Nacional”, crucial para se investigar as omissões de autoridades federais nos atos de vandalismo, começa agora a ser finalmente respondida por meio de testemunhos e provas materiais.
“Após os esforços da CPMI para obter informações, as fotos da Reuters do efetivo da Força Nacional desmentirão a muitos sobre a escandalosa omissão de quem foi avisado desde 6 de janeiro dos atos e era pago para executar o plano para proteger as sedes dos poderes”, declarou o senador Esperidião Amin (PP-SC). O parlamentar estima que ao menos 250 homens da força estariam de braços cruzados.
Gonçalves Dias foi avisado sobre caravanas de ônibus em Brasília na manhã do 8/1
A revelação do fotógrafo se soma também ao forte indício de omissão, reconhecido até mesmo pelos aliados do governo, envolvendo o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) general Marco Gonçalves Dias, responsável por fazer da defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do Palácio do Planalto. Em oitiva à CPMI em 1º de agosto, o ex-chefe da Agência Nacional de Inteligência (Abin), Saulo Moura Cunha, detalhou a conversa com Dias horas antes dos atos de vandalismo, na qual o general, seu superior à época, reconhecia as consequências da chegada de manifestantes em Brasília.
Às 8h53 do dia 8 de janeiro, Gonçalves Dias recebeu uma mensagem no WhatsApp com a lista de ônibus que estavam chegando na capital federal e foi alertado sobre a situação pelo então comandante da Abin e recebeu como resposta a seguinte mensagem: “Bom dia. Vamos ter problemas”. Para o senador Espiridião Amin essa frase inaugura a novela de omissões das autoridades responsáveis para impedir o vandalismo.
Para o deputado Filipe Barros (PL-PR), o depoimento do fotógrafo trará desdobramentos. “A revelação de que a Força Nacional deixou de agir, de que o Palácio do Planalto já estava invadido com facilidade e que a imprensa já monitorava o risco de atos violentos mostram fatos a serem investigados”, disse. Também chamou a atenção do parlamentar o descumprimento do Plano Escudo, para defender o Palácio do Planalto, e a necessidade de ouvir o chefe da Força Nacional.
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