Políticos do Centrão levaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o desenho final do que querem na Esplanada dos Ministérios. Eis o pedido dos congressistas ligados ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), feito ao chefe do Executivo:
Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) – deve ir para o ministério de Portos e Aeroportos, hoje comandado por Márcio França (PSB-SP);
André Fufuca (PP-MA) – o Centrão cobra um ministério com recursos e cita o Desenvolvimento Social.O problema é que o PT não aceita abrir mão do principal programa de transferência de renda, o Bolsa Família;
Caixa Econômica – fica nas mãos do PP, de Lira.
Até a noite de 4ª feira (16.ago), a permanência do ministro no Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT-PI), era dada como certa. Ele se reuniu com Lula no fim da tarde, mas o encontro foi encerrado mais cedo. O ministro voltou ao Planalto na manhã desta 5ª feira. Ao Poder360, disse que a conversa era sobre a formatação do programa Brasil sem Fome.
A definição de como será a reforma ministerial do governo deve sair ainda nesta semana. Falta ainda o aval final do presidente Lula. O presidente Lula encontrou-se com Lira na noite de 4ª feira (16.ago). O encontro foi a sós e não foi registrado na agenda oficial de nenhum dos 2. O tempo entre a saída de Lula do Palácio do Planalto e a chegada do comboio no Palácio da Alvorada foi de aproximadamente uma hora. Ele voltou para a residência oficial perto das 20h30.
O comboio presidencial não foi visto na residência oficial do presidente da Câmara. Inicialmente, o encontro era para ter sido realizado no local. Na reunião, o MDS foi o centro da pauta. Lula afirmou que precisava ver como resolver a questão do ministro Wellington Dias, de quem o presidente é próximo. Está em suas mãos o principal programa social do governo, o Bolsa Família.
Uma das ideias cogitadas era a de transferir o Bolsa Família para outra pasta. O movimento é complicado porque depende de uma mudança na lei que reestruturou o benefício. Ele ficou atrelado a outros 33 programas, que teriam igualmente de deixar o ministério. Uma mudança na lei depende do Congresso Nacional. Uma equação arriscada para o atual momento em que Lula não conta com uma base de apoio sólida. O Congresso poderia, a revelia do governo, definir o que fazer com o programa.
Nesta 5ª feira (17.ago), Lula e Dias se encontraram. Falaram sobre um novo programa social, chamado Brasil Sem Fome. O ministro divulgou para a imprensa fotos e vídeos do encontro no qual ele diz que Lula lhe pediu que trabalhasse “ainda mais”.
IDAS E VINDAS
A ideia inicial de acomodar o Republicanos nas Micro e Pequenas Empresas, que ainda viria a ser criado, não agradou líderes do Centrão. Por isso, a negociação foi alterada.
Integrantes do Republicanos cogitam pedir que Costa Filho se licencie do partido caso seja nomeado ministro. Querem deixar a indicação na conta do governo para manter a independência na Câmara. A leitura interna no partido é que seus eleitores são contra Lula. Por isso, a entrada formal no governo seria uma má ideia.
O presidente a legenda, deputado federal Marcos Pereira (SP), disse ao Poder360 que o partido será independente até o fim do governo.
A Caixa Econômica ficará com o partido de Arthur Lira, da presidência às vice-presidências. O PP fará uma reunião na tarde de hoje para definir os nomes a serem indicados. O ex-ministro Gilberto Occhi é o mais cotado para o comando.
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