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Política em Foco Política

Bolsonaro fica em silêncio em depoimento à PF, diz defesa

Defesa diz que ele "nunca foi simpático" a movimentos golpistas

22/02/2024 20h45 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Redação
Joe Raedle/Getty Images
Joe Raedle/Getty Images

O ex-presidente Jair Bolsonaro compareceu à sede da Polícia Federal em Brasília nesta quinta-feira (22) em resposta às investigações sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado. O advogado Fabio Wajngarten divulgou que Bolsonaro permaneceu em silêncio durante o depoimento, que durou menos de meia hora.

Em entrevista, Wajngarten afirmou que o ex-presidente "nunca foi simpático a qualquer tipo de movimento golpista". Ele explicou que o silêncio não se limitou ao exercício constitucional do direito de permanecer calado, mas foi uma estratégia devido à falta de acesso da defesa a elementos essenciais relacionados às acusações.

Wajngarten mencionou a ausência de acesso à delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e a informações obtidas em celulares apreendidos. Segundo o advogado, essa falta de acesso impede a defesa de ter um mínimo de conhecimento sobre os elementos que levaram à convocação do presidente para o depoimento.

A defesa do ex-presidente, por meio de comunicado, assegurou que Bolsonaro está disposto a prestar depoimento assim que for garantido o acesso solicitado. O comunicado ressaltou que Bolsonaro nunca se recusou a comparecer perante a autoridade policial quando intimado.

Além de Bolsonaro, outros investigados, incluindo o ex-ministro e candidato a vice-presidente Walter Souza Braga Netto, o presidente do PL Valdemar Costa Neto, o ex-ministro de Segurança Institucional general Augusto Heleno, o ex-ministro substituto da Secretaria-Geral da Presidência Mário Fernandes, o oficial do Exército Ronald Ferreira de Araújo Junior, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, compareceram à PF para depor.

A operação Tempus Veritatis, deflagrada pela PF há duas semanas, investiga a suposta organização de Bolsonaro e seus aliados para um golpe de Estado, visando manter o ex-presidente no poder e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os depoimentos ocorreram ao mesmo tempo como parte da estratégia da PF para evitar combinação de versões entre os investigados.

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