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Geral Ricardo Matense

Tudo muda quando você muda

Tudo muda quando você muda

24/05/2016 15h40
Por: Redação Fonte: Ricardo Matense
“Mudança. Esta foi a palavra chave. A esperança finalmente venceu o medo e a sociedade brasileira decidiu que estava na hora de trilhar novos caminhos”. Lembro-me até hoje do dia em que ouvi estas palavras proferidas pelo ex-presidente Lula. Era primeiro de janeiro de 2003 e ele fazia o seu discurso de posse no primeiro mandato como Presidente da República. O palco, lugar onde sempre esteve, era a mesa do Congresso Nacional, mas era também o coração de milhões de brasileiros que sempre lhe escutaram e que desta vez deram-lhe o voto de confiança. Para Lula esta era a grande mensagem dos brasileiros que ecoavam nas ruas que a esperança venceu o medo. A esperança era a mudança e o governo não poderia esquecer que a mudança era a esperança.

Eu era um adolescente e tinha participado ativamente daquela eleição. Ouvi emocionado o discurso. Três termos fortes me marcaram até hoje: mudança, esperança e confiança. Lá se vão 13 anos. Lula foi reeleito e fez de Dilma a sua sucessora, eleita e reeleita. Seu partido, o PT tornou-se o mais longevo ocupante do Planalto. No governo, manteve muito da política econômica do seu antecessor, o PSDB. Inegavelmente, avançou na consolidação de programas sociais que tiraram milhões de brasileiros da pobreza extrema e oportunizaram o desenvolvimento de nossa gente, especialmente os mais vulneráveis. Por causa dos erros cometidos pelo governo na condução econômica e na gestão do Estado, eles estão novamente vulneráveis. Altas taxas de desemprego e crescimento da inflação negam ao nosso povo direitos fundamentais.

Eleito para trilhar novos caminhos, preferiu o mesmo caminho da política tradicional e corrupta que havia combatido nos tempos de oposição. Quando decidiu governar com os piores, a cúpula PT concentrou o poder com a parte podre do PMDB. Eduardo Cunha, por mau exemplo, está aí desde antes de Collor, mas foi no governo petista que assaltou a Petrobras e sabe-se lá mais quantas estatais e órgãos públicos. Esquemas como o mensalão e o petrolão fizeram do crime, organizado. E aí está o ‘x’ da questão: a corrupção endêmica tornou-se sistêmica. A operação Lava Jato está mostrando que o esquema montado garantiu, pela corrupção, o apoio político que o governo de coalizão precisava ter no Congresso.  Uma quadrilha, composta por gente de diversos partidos, assaltou o povo brasileiro.

Continuamos precisando de mudanças. O povo foi às ruas, claro que com o empurrão da oposição. É do jogo democrático que a oposição faça oposição. Dilma caiu. Sua chance de voltar ao poder é perto de zero. Registrando que em 2014, não fossem as mentiras do marketing rasteiro, nem teria nele permanecido. Nos quadros do ministério do governo interino de Michel Temer há diversos investigados pela Lava Jato e, em apenas doze dias, já caiu o ministro do Planejamento, Romero Jucá, acusado de tentar paralisar a operação. Jucá não está isolado. Na sua fala percebe-se que há um interesse podre em alguns setores: estancar a sangria (políticos corruptos presos).O momento é de enormes desafios, o mais importante é continuar confiando no Brasil. E que também não haja ilusão. Precisamos de mudanças no sistema político, na forma de representação e nos representantes. O atual sistema político valoriza os espertos, os malandros, e desestimula os honestos. O número de partidos que temos cria um caos na política. Precisamos urgentemente de mudanças profundas. Precisamos ser os agentes das mudanças.

 Há uma lei do mítico Hermes Trimegisto que ensina: se você muda, tudo muda. A mudança positiva acontece primeiro em nós, com potencial de mudar as circunstâncias. Continuo acreditando em mudanças, na política ou onde sejam necessárias. Mas há um lugar onde a corrupção precisa de fato deixar de existir: no comportamento de cada cidadão. Não furar fila é fichinha! O necessário é colocar no coração a busca pelo que é justo e acreditar que em um ambiente de justiça as oportunidades serão para todos e os benefícios também. É confiar no que preceitua a Bíblia Sagrada, que o fruto da justiça será a paz e que a prática da justiça resultará em tranquilidade e segurança duradoras (Isaías 32:17).
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