Trinta e nove dias após o grupo petista perder a eleição municipal em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, a prefeita Moema Gramacho (PT) demitiu, ao menos, 1.666 pessoas relacionadas aos cargos de comissão. Parte dos servidores demitidos, inclusive, informou que não recebeu o salário de outubro, enquanto outros tiveram a remuneração descontada. A população, por sua vez, relatou a precarização de serviços básicos, como a limpeza urbana e o funcionamento de escolas.
O CORREIO levantou o número de demitidos em publicação feita no Diário Oficial do Município (DOM), no último dia 14. No entanto, os servidores indicam que a quantidade de demissões é maior. “Eu tenho certeza de que é maior, fora os fantasmas, que não vão para essas listas”, afirmou Lenildo Eduardo de Jesus, 50, que trabalhava como fiscal na Secretaria de Trânsito e Transporte (Settop) há cerca de dois anos.
Lenildo, inclusive, é um dos trabalhadores que receberam a remuneração do último mês de trabalho descontada. A diferença foi de R$800. “Meu salário era R$2 mil, e eu recebi R$1,2 mil. Isso me prejudicou demais, a mim e aos meus colegas. Tem gente que nem está com o nome no Diário Oficial (na lista de demissões) e não recebeu dinheiro ainda. É isso que não dá para entender”, contou.
Esse é o caso da funcionária Bruna Indiara Barreto, 32 anos, que trabalha em uma unidade básica de saúde do município há cinco anos. Sem o nome da lista, a servidora não recebeu no mês de outubro, sem qualquer aviso prévio, assim como as demissões. “Não teve nenhuma informação. O dinheiro só não caiu”, disse.
As mudanças impactaram diretamente a vida dos servidores. Bruna, por exemplo, teve que voltar a morar com o pai porque não conseguiu manter o aluguel e as despesas do filho, de 12 anos. “Agora, com a falta de dinheiro, estou indo quase todos os dias para a UPA de São Cristóvão. Sem dinheiro, tive que entregar a casa de aluguel e voltei para casa do meu pai para colocar meu filho debaixo de um teto. Estou desesperada”, disse.
Outra servidora da prefeitura, que não se identificou por medo de represálias, informou que recebeu o salário após 15 dias de atraso, com um desconto também de R$800, apesar de não ter sido demitida. “Eu tive que negociar com a minha chefia para trabalhar menos horas. Não sou o único caso isolado, a maioria dos trabalhadores (passa por essa situação). Eu acho que é muito cruel. A pessoa trabalha como qualquer outro ser humano e não recebe um aviso prévio”, relatou.
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