Sábado, 04 de Julho de 2026 01:19
(71) 99663.6360
Dólar comercial R$ 5,17 +0,00%
Euro R$ 5,91 +0,00%
Bitcoin R$ 342.720,16 0,00%
Bovespa 174.070,27 pontos +0.74%
Política em Foco Economia

Haddad diz que eleição do Trump encareceu combustíveis e custo da comida deve cair com safra recorde

De acordo com ministro, pressão sobre o bolso do consumidor deve melhorar com a queda do dólar

07/02/2025 11h59
Por: Redação Fonte: Folhapress
Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a eleição de Donald Trump motivou, no fim do ano passado, a alta no dólar, o que teria encarecido os combustíveis e os alimentos.

"Depois da eleição do Trump, teve uma disparada no dólar, e a gente exporta gasolina e diesel, e isso tem um reflexo nos preços", disse, em entrevista, nesta sexta-feira (7), à Rádio Cidade, de Caruaru, no interior do Pernambuco.

A pressão sobre o bolso do consumidor, segundo Haddad, deve melhorar com a queda do dólar — que saiu do patamar de R$ 6,10 para o de R$ 5,80 nos últimos dias —, a safra recorde projetada para 2025 e o fim do ciclo do boi, quando os pecuaristas diminuem os rebanhos para valorizar o valor por cabeça de animal. 

O ministro criticou ainda a privatização das refinarias, iniciada pelo governo de Michel Temer e concretizada pela gestão anterior. "Os preços subiram no exterior, e o empresário quer lucrar e vai procurar o melhor negócio".

"O preço da gasolina está menor hoje do que no governo Bolsonaro, basta consultar as reportagens que vocês da imprensa escreveram", afirmou. 

No último sábado (1º), a Petrobras elevou em mais de 6% o preço médio do diesel para distribuidoras, para R$ 3,72 por litro, no primeiro ajuste do valor do combustível fóssil em mais de um ano. A companhia não reajustava o diesel, combustível mais consumido do país, desde 27 de dezembro de 2023, quando cortou em 7,9% o valor do produto em suas refinarias. 

De acordo com Haddad, a valorização do dólar também foi um dos motivos do encarecimento dos alimentos, junto com uma seca no Rio Grande do Sul, que teve reflexos nos preços da soja que abastece a produção de proteína animal.

Ainda segundo o ministro, a reforma tributária vai reduzir a incidência de impostos estaduais sobre a cesta básica a partir de 2027, incluindo a carne, baixando o preço dos alimentos. "O presidente Lula zerou impostos e a Constituição Federal vai impedir que os governadores cobrem imposto sobre a cesta básica, que já não tem impostos federais". 

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva sofre uma crise de popularidade, cujas principais causas, segundo pesquisa da consultoria Quaest, são a alta nos preços e uma instrução da Receita Federal para reforçar a fiscalização do Pix.

Haddad atua sob pressão de atores do mercado financeiro para reduzir gastos, a fim de conter a trajetória de evolução da dívida, que seria um dos motivos citados pela perda de credibilidade do governo frente a instituições de crédito. 

Nos bastidores do governo, auxiliares de Lula citam atritos entre o titular da Fazenda e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Haddad também recebeu críticas públicas da atual presidente do PT Gleisi Hoffman pelos cortes promovidos pela Fazenda para que o governo respeite o arcabouço fiscal. A meta para este ano é de gasto zero, com margem de tolerância de 0,25% do PIB (cerca de R$ 31 bilhões, segundo a LDO). 

No fim do ano passado, o governo promoveu, sob liderança de Haddad, um pacote de cortes, que incluiu a revisão para baixo do reajuste do salário mínimo. O valor de referência foi a R$ 1.508, ante previsão anterior de R$ 1.518. 

O ministro afirmou que, mesmo com a mudança na regra, o ajuste do salário mínimo foi acima da inflação. "Antes do governo Lula, ficamos sete anos sem aumento do salário mínimo [acima da inflação]".

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.