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Política em Foco Importunação Sexual

Anielle Franco responde a Silvio Almeida e diz que tentativa de descredibilizar vítimas é inaceitável

Ex-ministro foi demitido após acusações virem à tona, em setembro de 2024

24/02/2025 19h44
Por: Redação
Crédito: Reproduções
Crédito: Reproduções

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, divulgou uma nota pública na tarde desta segunda-feira (24) para comentar as falas do ex-ministro Silvio Almeida sobre as acusações de importunação sexual feitas por Anielle e por outras mulheres contra ele. Ao UOL, Almeida classificou as denúncias como "fofocas" e afirmou que foi vítima de uma "armadilha política". Ele prestará depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (26), em Brasília, em um inquérito sob sigilo de Justiça.

Anielle considerou inaceitável "a tentativa de descredibilizar vítimas de assédio sexual, minimizar suas dores e transformar relatos graves em 'fofocas' e 'brigas políticas'".

"Na véspera de prestar depoimento à Polícia Federal como investigado, o acusado [Silvio Almeida] escolheu utilizar um espaço público para atacar e desqualificar as denúncias, adotando uma postura que perpetua o ciclo de violência e intimida outras vítimas", escreveu a ministra.

Ela lembrou ainda que o direito à defesa é assegurado, mas não pode ser usado como instrumento de desinformação e revitimização. "Insinuar retaliações descabidas contra quem denuncia é uma estratégia repulsiva que reforça estruturas de silenciamento e impunidade."

A nota finaliza dizendo que "importunação sexual não é questão política, é crime. Sendo assim, reitero minha confiança na seriedade das investigações conduzidas pela Polícia Federal e reforço meu compromisso com a defesa das vítimas e o combate à violência de gênero e raça".

O caso

As denúncias contra o ministro Silvio Almeida foram tornadas públicas pelo portal de notícias Metrópoles no dia 5 de setembro de 2024 e confirmadas pela organização Me Too, que atua na proteção de mulheres vítimas de violência.

Durante esse tempo, Almeida explicou que precisou cuidar da família e da saúde, além de evitar um clima de hostilidade. "Minha defesa era lida como forma de desrespeito às supostas vítimas", disse. Ele também destacou que as investigações são sigilosas, mas afirmou que "chegou a hora de começar a falar".

Acusações de Anielle Franco

Anielle Franco afirmou à revista "Veja" que o assédio teria começado durante a transição de governo (2022/2023). Almeida rebateu, dizendo que não conviveu com a ministra nesse período. "Tenho lembrança de ter encontrado Anielle em duas ocasiões", afirmou, citando um jantar e o anúncio dos ministros. Sobre a acusação de que teria feito "sussurros eróticos" e passado a mão nas pernas dela durante uma reunião, Almeida foi categórico: "É óbvio que não". Ele descreveu o encontro como tenso, com divergências sobre políticas de combate ao racismo nos aeroportos, e acusou Anielle de ser "deselegante".

Questionado se a ministra não teria muito a perder com uma falsa denúncia, ele disse que acha que a colega "caiu numa armadilha". "Acho que ela caiu numa armadilha, a falta de compreensão de como funciona a política —a armadilha em que eu caí também. Não prestei atenção em coisas em que deveria ter prestado mais atenção. Ela, da mesma forma. Ela se perdeu num personagem."

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