Com a forte chuva que cai em Camaçari, moradores de vários bairros da cidade estão preocupados em função das várias áreas de alagamentos que estão surgindo na cidade, devido a falta de manutenção em córregos, bocas de lobos e da rede pluvial da cidade.
Durante o programa É do Povo dessa quinta-feira (24), o ex-coordenador da Defesa Civil de Camaçari, Ivanaldo Soares, fez um alerta sobre a urgência da manutenção do Rio Camaçari, principal curso d’água que corta o centro e os bairros e rebe boa parte das águas de córregos e riachos de bairros próximos a região.
“Quando você tem o volume de chuva que está previsto de 30, 40, 50, 60 milímetros, isso é muita chuva. Então, se o rio estiver obstruído, com entupimento, claro e evidente que ele vai se elevar e ele vai retornar para as ruas. Inclusivo, ele pode até não transbordar ao ponto de você perceber que ele passou para as ruas, mas as redes pluviais vão ter retorno, e aí, automaticamente vai alagar aquelas ruas”, explicou o ex-coordenador da Defesa Civil.
Durante a sua participação, Ivanaldo pontuou que a retirada do excesso de terra do leito do rio não foi feita de maneira correta, e que o acumulo que deveria ter sido dragado e levado para outro lugar, foi simplesmente deixado na parte interna da contenção, criando um ambiente propicio para a proliferação de mato, pragas urbanas e contribuindo para o acumulo de água que resultam nas cheias e no transbordamento.
“Ali tem que ser retirado e colocado em caçambas e removido aquela terra. Ele [o prefeito] não fez a limpeza do canal, ele ‘máfiou’, ele colocou uma máquina, gastou dinheiro público. Se é um país sério, se a gente tem uma lei que realmente funcionasse, isso se chama prevaricar, por que você está gastando dinheiro público com contrato, que é caríssimo a hora de máquina, é muito dinheiro para aquelas máquinas estarem ali dentro, para beneficiar quem, se não houve uma limpeza. Então, se cometeu um crime, que é improbidade administrativa”, afirmou Soares.
Ivanaldo ressaltou que o atual prefeito de Camaçari, Luiz Caetano, enganou a população e fez o serviço para publicar em suas redes sociais e no site da gestão.
“Simplesmente enganação, simplesmente fazer com que as pessoas leigas acreditassem que estava limpa, e depois colocar nas plataformas digitais dele, colocar no site da prefeitura ‘nós estamos trabalhando, fazendo limpeza de canais’. Aí começa a falar da gestão passada, nós já estamos acostumados com isso, com políticos dessa forma, que quando está almejando o poder faz tudo, está tudo errado, que vai ser a salvação, que vai fazer, aí faz uma imundice dessa. É lamentável”, disparou Ivanaldo.
O que diz o Ministério Público da Bahia, sobre o assunto
O Ministério Público estadual, por meio do promotor de Justiça Luciano Pitta, ajuizou ação civil pública contra o Município de Camaçari para reparar os danos ambientais ocorridos no Rio Camaçari, por meio de elaboração um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD). O Plano deve ser elaborado por profissional legalmente habilitado. Além disso, o MP requer que a Justiça determine que o Município realize perícia judicial para avaliar a extensão dos danos ambientais no rio, definindo a metodologia adequada para a ampla recomposição da área degradada.
De acordo com o promotor de Justiça, após o recebimento de parecer elaborado pela Central de Apoio Técnico do MP (Ceat), foi constatado que, mesmo após a execução do projeto de despoluição do Rio Camaçari, o local continua com características de poluição e assoreamento. Os técnicos da Ceat realizaram visita técnica ao longo do rio e concluíram em relatório que "desde trechos iniciais até a foz, o corpo hídrico está degradado por poluição sobretudo oriunda de lançamento de esgoto sanitário por meio de condutos de drenagem pluvial, bem como também por resíduos de origem diversa". O promotor de Justiça Luciano Pitta destacou que a ação foi ajuizada após o MP receber representação noticiando supostas irregularidades na implementação do ‘Projeto de despoluição do Rio Camaçari’, realizado pela administração municipal.
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