O pastor N. J. S., líder da Igreja Assembleia de Deus Trindade Santa, foi preso nesta segunda-feira (15) pela Polícia Civil após investigações que revelaram um esquema de abusos sexuais contra mulheres de sua congregação.
De acordo com a 1ª Delegacia Territorial de Mata de São João, o religioso se aproveitava da posição de liderança para induzir e constranger fiéis à prática de atos libidinosos e conjunção carnal, sempre sob o pretexto de “rituais espirituais”.
As vítimas relataram que o pastor pregava sobre “problemas espirituais” e convencia mulheres emocionalmente fragilizadas de que precisariam participar de “campanhas de purificação” que incluíam práticas sexuais. Em algumas pregações, ele mencionava “íncubos e súcubos” — supostos espíritos malignos —, alegando que apenas seus rituais particulares poderiam libertar os fiéis.
Uma das mulheres contou que, após o fim de um relacionamento, foi convencida por ele de que sua separação havia ocorrido por “fornicação” e que a solução seria participar de sete dias ininterruptos de uma suposta campanha espiritual. O pastor determinava sigilo absoluto, alegando que tais rituais só seriam compreendidos em “culturas africanas”.
As apurações revelaram um modus operandi marcado pela manipulação da fé, da vulnerabilidade emocional e da confiança das vítimas. O pastor já responde a outro inquérito (nº 37071/2024) por crime de estupro. Pelo menos dez mulheres afirmam terem sido vítimas.
Além do histórico criminal, N. J. S. também sempre esteve envolvido com a política local. Em 2020, disputou uma vaga de vereador em Mata de São João, quando obteve 86 votos no pleito.
Na manhã desta segunda-feira (15), equipes da 1ª DT de Mata de São João, com apoio do núcleo de Inteligência do DEPOM, da 5ª DT de Valença e do Núcleo de Atendimento à Mulher, cumpriram o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça. A operação foi coordenada pelo delegado Aldacir Ferreira dos Santos.
Segundo a Polícia, o pastor já planejava fugir de Morro de São Paulo, onde estava escondido na casa do pai. Ele permanece custodiado à disposição da Justiça, enquanto as investigações continuam.
A Polícia Civil informou ainda que segue recebendo denúncias e apurando se há outras possíveis vítimas.
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