Pelo menos 64 pessoas morreram, entre elas quatro policiais, e 81 foram presas durante uma megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. A ação, considerada a mais letal da história do estado, faz parte da Operação Contenção, que tem como objetivo combater o avanço da facção por territórios fluminenses. Entre os mortos estão dois traficantes baianos.
De acordo com o governo do Rio, cerca de 2,5 mil agentes participaram da operação, deflagrada no início da madrugada desta terça-feira (28). A Polícia Civil informou que criminosos reagiram com tiros e incendiaram barricadas para impedir a entrada das equipes. Houve ainda relatos de ataques com drones lançando explosivos contra os agentes.
Um dos mortos é Júlio Souza Silva, de 26 anos, identificado como integrante do Comando Vermelho. A operação também resultou na apreensão de 75 fuzis, duas pistolas e nove motocicletas.
Durante os confrontos, quatro civis foram atingidos. Uma mulher foi baleada nos glúteos enquanto se exercitava em uma academia próxima ao Complexo do Alemão. Outro homem, em situação de rua, foi ferido nas costas por bala perdida e socorrido para o Hospital Getúlio Vargas. Um terceiro foi atingido dentro de um ferro-velho, além de outro morador ferido.
Os policiais mortos foram identificados como Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, de 51 anos, conhecido como Máskara, recém-promovido a chefe de investigação da 53ª DP (Mesquita), Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, da 39ª DP (Pavuna), Cleiton Searafim Gonçalves e Herbert, ambos do Bope.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, a operação foi planejada integralmente pelo governo estadual e não contou com apoio federal. O governador Cláudio Castro afirmou que o estado atuou sozinho e criticou a negativa de empréstimo de blindados por parte da União.
A ação provocou reações em diversas regiões do Grande Rio, com veículos incendiados e vias bloqueadas em retaliação. O Centro de Operações elevou o nível de alerta da cidade para 2, em uma escala de 5. As universidades UFRJ, Uerj, UFF e Faetec suspenderam as aulas, e ao menos 48 escolas municipais foram impactadas.
A Operação Contenção é coordenada pelas polícias Civil e Militar, com apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), e teve como base um ano de investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Parte dos procurados é de fora do estado, incluindo 30 suspeitos do Pará.
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