A recém-instalada CPI do Crime Organizado, no Senado Federal, começa seus trabalhos mirando os estados que mais enfrentam a expansão de facções criminosas. Entre os governadores convocados a depor está Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, que deverá prestar esclarecimentos sobre as ações do governo estadual no combate à criminalidade organizada.
O estado tem sido apontado por órgãos de segurança como um dos mais afetados pela presença de facções criminosas, com registros de disputas territoriais e aumento de homicídios ligados ao tráfico. Segundo o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a intenção é entender “como o poder público estadual vem reagindo ao avanço dessas organizações e de que forma a estrutura de segurança tem sido utilizada”.
Nos últimos meses, o governo baiano realizou operações de grande porte, como a Operação Primus, que resultou em dezenas de prisões e apreensões de armas e veículos de luxo. Jerônimo Rodrigues tem reforçado o discurso de que o estado atua com base na inteligência policial e na integração com o governo federal. “É possível combater o crime organizado com estratégia, informação e trabalho conjunto”, afirmou o governador em recente entrevista.
A CPI do Crime Organizado é presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) e terá prazo de 120 dias para investigar a infiltração de facções em atividades econômicas legais, a corrupção e a atuação de grupos criminosos dentro e fora do sistema prisional. O depoimento de Jerônimo Rodrigues deve ocorrer nas próximas semanas, em data ainda a ser confirmada pelo Senado.
Além da Bahia, foram convidados os governadores Clécio Luís (Amapá), Raquel Lyra (Pernambuco), Elmano de Freitas (Ceará), Paulo Dantas (Alagoas), Jorginho Melo (Santa Catarina), Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). O objetivo da comissão é compreender como os estados têm enfrentado a atuação de facções, milícias e grupos ligados à lavagem de dinheiro e ao tráfico de drogas.
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