Os desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão descobriram nesta semana que o presidente da Corte, Froz Sobrinho, transferiu R$ 2,8 bilhões de depósitos judiciais para o Banco de Brasília (BRB).
Emparedado pelas críticas, o desembargador afirmou que a decisão foi exclusivamente sua e que assume integralmente os riscos da aplicação. Segundo ele, a transferência garantiu um rendimento mensal de R$ 15 milhões, valor cinco vezes superior aos cerca de R$ 3 milhões pagos pelo Banco do Brasil, de onde os recursos foram retirados.
A controvérsia se intensificou diante do histórico recente do BRB, que entrou na mira da Polícia Federal após realizar aportes no Banco Master e tentar adquirir a instituição, posteriormente liquidada pelo Banco Central por fraude bancária. A coluna procurou o presidente do TJ para questionar se os valores foram parar em fundos do Master, mas o desembargador não respondeu.
No dia 28 de janeiro, o presidente do TJ convocou uma reunião com os desembargadores para explicar a aplicação e dividir a responsabilidade pela mudança. A tentativa terminou em bate-boca.
Durante o encontro, o desembargador Paulo Sérgio Velten Pereira interrompeu a exposição e criticou duramente a condução do processo. Disse considerar indevida a convocação, ressaltou que a decisão não foi submetida ao colegiado e afirmou que não se sentia responsável por uma medida que classificou como “gravíssima”.
“Com todo respeito, considero indevida essa convocação no tribunal para tratar desse tema agora, porque a decisão dessa migração foi exclusiva de vossa excelência. Ela não foi submetida ao colegiado. Não me sinto responsável por essa decisão. Foi uma decisão gravíssima e agora vamos dividir a responsabilidade?”, afirmou Pereira.
“Não é gravíssima, não. Estou convidando, não convocando”, disse o presidente do TJ, ao se referir à reunião destinada a explicar a aplicação.
“Eu estou fora, já aviso que estou fora”, rebateu Pereira.
Ao fim, o presidente reiterou que assumiu pessoalmente o risco da aplicação e alegou que buscou maior rentabilidade para cumprir compromissos financeiros do tribunal, como o pagamento de indenizações a juízes, desembargadores e servidores. Disse ainda que outros tribunais que migraram recursos para o BRB estariam satisfeitos com os resultados.
“O risco foi meu e sou eu quem vai prestar contas”, afirmou.
Eleições 2026 Brasil não será governado por sócios do Banco Master, diz Lula em ato
Eleições 2026 AtlasIntel divulga 1ª pesquisa de 2º turno à Presidência; veja números
Política Flávio Bolsonaro fará comício no Farol da Barra em 17 de outubro
Eleições 2026 Augusto Cury anuncia apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e cobra compromisso com oito propostas
Eleições 2026 Datafolha aponta Flávio Bolsonaro com 49% e Lula com 45% no segundo turno
Banco Master Daniel Vorcaro negocia entrevista exclusiva com Globo e Record