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Geral Compliance Zero

Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15 milhões, em Camaçari, um dia após ser alvo da PF, mas cartório barrou

Transação foi barrada após ordem do STF que determinou a indisponibilidade dos bens do senador; prefeito baiano afirma que comprou imóveis de boa-fé.

18/07/2026 10h48 Atualizada há 2 meses atrás
Por: Redação Fonte: Mais Região
Arquivo Mais Região
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Um dia após ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, o senador Jaques Wagner (PT-BA) tentou concluir a venda de um terreno de 51 mil metros quadrados, localizado em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, por R$ 15,8 milhões. A negociação, porém, foi interrompida pelo cartório após o recebimento de uma ordem de bloqueio de bens expedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do Estadão.

Segundo a reportagem, o comprador do imóvel é o prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos de Araújo (União Brasil). Além do terreno, ele também adquiriu um apartamento de luxo pertencente ao senador, localizado no Corredor da Vitória, em Salvador, por R$ 10 milhões.

As duas operações somam R$ 25,8 milhões. Ainda conforme o Estadão, Wagner já teria recebido pelo menos R$ 12 milhões referentes às negociações, embora a transferência definitiva dos imóveis tenha sido suspensa por determinação judicial.

A sequência dos acontecimentos chamou a atenção dos investigadores. A Polícia Federal cumpriu os mandados contra o senador em 18 de junho, durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de pagamento de propina envolvendo o Banco Master. No dia seguinte, a defesa de Wagner protocolou no cartório a escritura para transferência do terreno, mas o registro acabou impedido pela ordem de indisponibilidade dos bens.

Outro ponto destacado pela reportagem é a valorização do imóvel. O terreno foi adquirido por Jaques Wagner no ano 2000 por R$ 28 mil. Corretores consultados pelo Estadão estimam que o valor atual da área seja de até R$ 12 milhões, abaixo dos R$ 15,8 milhões previstos na venda. O imóvel seria destinado a um empreendimento imobiliário ligado ao Grupo City.

O prefeito Marcelo Passos afirmou que realizou a compra de forma regular e disse ser um "terceiro de boa-fé". Em manifestação encaminhada ao STF, sustentou que os contratos foram assinados no fim de 2025 e quitados em abril deste ano, antes da operação policial se tornar pública.

Já o advogado de Jaques Wagner, Pablo Domingues, negou qualquer irregularidade nas negociações e afirmou que o senador não comentaria questões relacionadas ao caso, sustentando que não há ilegalidades nas transações.

A investigação também provocou reflexos políticos. Conforme o Estadão, Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado após o avanço das investigações e a determinação de bloqueio de seus bens. Apesar disso, o parlamentar mantém sua pré-candidatura à reeleição em 2026.

 

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