A Bahia manteve posição de destaque negativo no cenário da segurança pública brasileira ao concentrar cinco dos dez municípios mais violentos do país e registrar a segunda maior taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) entre os estados em 2025. Apesar da redução de 9,6% no número de vítimas em relação ao ano anterior, passando de 6.047 para 5.473 casos, o estado encerrou o período com taxa de 36,8 mortes por 100 mil habitantes, atrás apenas do Amapá (42,5). Os dados constam no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O levantamento aponta que o Brasil registrou a menor taxa de mortes violentas da série histórica iniciada em 2012, com índice de 19,1 mortes por 100 mil habitantes. No entanto, o Nordeste permanece como a região mais violenta do país, com taxa de 31,6 por 100 mil habitantes.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, a Bahia reúne metade das dez cidades mais violentas do Brasil. Eunápolis aparece na segunda posição nacional, com taxa de 85,1 mortes por 100 mil habitantes, seguida por Porto Seguro (4º lugar; 71,2), Simões Filho (5º; 68,1), Jequié (6º; 67,4) e Juazeiro (10º; 55,8).
Ranking das 10 cidades mais violentas do Brasil
1º Maranguape (CE)
2º Eunápolis (BA)
3º Maracanaú (CE)
4º Porto Seguro (BA)
5º Simões Filho (BA)
6º Jequié (BA)
7º Caucaia (CE)
8º Cabo de Santo Agostinho (PE)
9º Santa Rita (PB)
10º Juazeiro (BA)
Outro dado que chama atenção no levantamento é a letalidade policial. A Bahia voltou a liderar o país em número absoluto de mortes decorrentes de intervenções policiais, com 1.570 registros em 2025, o equivalente a 23,7% de todos os casos contabilizados no Brasil. A taxa estadual chegou a 10,6 mortes por 100 mil habitantes, mais de três vezes superior à média nacional.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Porto Seguro lidera o ranking nacional de letalidade policial, seguido por Eunápolis. Simões Filho, Jequié, Lauro de Freitas e Luís Eduardo Magalhães também aparecem entre os dez primeiros colocados do país.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a redução observada em cidades como Camaçari, Salvador e Feira de Santana coincide com o fortalecimento de ações de inteligência e policiamento direcionado. Já o agravamento dos indicadores no extremo sul do estado evidencia a migração de organizações criminosas para corredores logísticos estratégicos, reforçando a necessidade de investimentos em inteligência, controle territorial e políticas públicas voltadas à prevenção da violência.
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