O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) deve analisar nesta sexta-feira (28) a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade, titular da 1ª Vara da Fazenda Pública de Camaçari. A medida está relacionada à retirada da fotografia da makota do Candomblé, escritora e chef de cozinha Solange Borges de uma exposição instalada no Fórum Clemente Mariani, no município.
O Tribunal Pleno vai examinar as conclusões da sindicância instaurada pela Corregedoria-Geral da Justiça para apurar a conduta dos envolvidos no episódio e decidir se será instaurado o procedimento disciplinar contra o magistrado. A apuração foi aberta após a repercussão do caso envolvendo a retirada da imagem da exposição.
O episódio teve início a partir de um ofício encaminhado pelo juiz à direção do Fórum Clemente Mariani em 20 de fevereiro deste ano. No documento, Cesar Augusto Borges de Andrade questionou a presença da fotografia de Solange Borges, retratada com vestimentas religiosas e colares de contas, e associou a exposição da imagem à necessidade de preservação da laicidade do Estado.
A fotografia foi retirada da mostra, enquanto outra imagem com referência à tradição católica permaneceu exposta no mesmo espaço. A diferença de tratamento motivou questionamentos sobre possível discriminação contra as religiões de matriz africana.
Após a repercussão, o Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) e Solange Borges apresentaram representação ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O presidente do TJ-BA, desembargador José Rotondano, também determinou, em março, a recolocação imediata da fotografia na exposição do fórum.
Em manifestação à Corregedoria do TJ-BA, o magistrado afirmou que não determinou a retirada da fotografia. Segundo sua defesa, o ofício encaminhado à direção do fórum solicitava a análise da legalidade da exposição, e a decisão de remover a imagem teria sido tomada administrativamente pelo então diretor da unidade.
Caso o Tribunal decida pela instauração do PAD, a conduta do magistrado será submetida a uma apuração disciplinar. O procedimento poderá examinar possíveis violações aos deveres funcionais da magistratura e a suspeita de racismo religioso institucional, com aplicação de sanções prevista de acordo com as normas que regem a carreira, respeitados o devido processo e o direito de defesa.
Camaçari ACM Neto defende liberdade do eleitor e critica tentativa de tutelar voto: 'Não dá para brigar com a vontade do povo'
Camaçari Corpo de jovem desaparecido na praia de Guarajuba é encontrado em Vila de Abrantes
Após confronto “Nego Drama”, investigado por homicídio em Camaçari, morre em confronto em Salvador
Camaçari Buscas por jovem desaparecido na praia de Guarajuba ganham reforço de helicóptero e drone
Justiça Adolescente é apreendido por ato infracional análogo ao crime de estupro de vulnerável em Camaçari
Ação Social Projeto Polo da Gente beneficia mais de 1,3 mil pessoas em Camaçari e Dias d’Ávila