O Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral) defendeu, durante sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), realizada nesta quinta-feira (27), a manutenção da condenação do vereador de Camaçari, Dilson Vasconcelos Soares, conhecido como Dentinho do Sindicato, pelos crimes de violência política de gênero e importunação sexual. O parlamentar foi acusado de constranger e importunar a vereadora Angélica Bittencourt durante uma sessão da Câmara Municipal, em junho de 2022, em circunstâncias que, segundo a acusação, tinham o propósito de dificultar o exercício do mandato da parlamentar por ela ser mulher.
Registros em vídeo da sessão realizada em 28 de junho de 2022 mostram que o vereador retirou da cadeira da parlamentar a placa com o nome dela e colocou uma identificação com o próprio nome no lugar. Com isso, a vereadora ficou impedida de ocupar seu assento. Após recuperar o lugar, Dentinho do Sindicato teria se sentado ao lado dela e colocado o cotovelo entre as pernas da parlamentar. Na sequência, ele a abraçou sem consentimento e a puxou em sua direção, em um movimento semelhante ao golpe conhecido como "mata-leão".
Durante a análise do processo, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, afirmou que os elementos reunidos nos autos demonstram a ocorrência de constrangimento e contato físico não autorizado, além de situações de assédio, humilhação e perseguição. "O acervo audiovisual demonstra que o denunciado ultrapassou o limite do diálogo e da discussão política ao manter contato físico invasivo com a ofendida, sem o seu consentimento", pontuou.
O representante do Ministério Público Eleitoral também destacou a relevância da palavra da vítima em casos envolvendo crimes de natureza sexual. Segundo ele, o depoimento da parlamentar é acompanhado por outros elementos de prova, entre eles testemunhos e gravações da sessão. Espinosa ainda apontou que o próprio vereador teria admitido, durante o processo judicial, ter retirado da bancada do plenário a placa que identificava a vereadora.
Condenação
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) condenou o vereador a quatro anos de prisão, além do pagamento de multa, pelos crimes de violência política de gênero e importunação sexual. Ao recorrer ao TSE, o caso passou a ser relatado pela ministra Estela Aranha, que acompanhou a posição apresentada pelo MP Eleitoral. A magistrada avaliou que a prática dos atos dentro da Câmara Municipal aumenta a gravidade da conduta, considerando que o espaço exige respeito e urbanidade e que a parlamentar era a única mulher entre os vereadores do município. O julgamento, no entanto, foi interrompido após um pedido de vista apresentado pelo ministro Kássio Nunes Marques.
Violência política
A violência política de gênero está prevista no artigo 326-B do Código Eleitoral e caracteriza ações, comportamentos ou omissões destinadas a impedir, dificultar ou limitar os direitos políticos das mulheres ou o exercício de seus mandatos em razão do gênero. Entre as práticas enquadradas estão situações de assédio, constrangimento, humilhação, perseguição e ameaça contra candidatas ou mulheres que ocupam cargos eletivos quando relacionadas à discriminação por serem mulheres. A legislação estabelece pena de um a quatro anos de prisão e multa, com possibilidade de aumento em determinadas situações, como quando a vítima é gestante, pessoa com deficiência ou tem mais de 60 anos. A importunação sexual, por sua vez, é prevista no artigo 215-A do Código Penal e pode resultar em pena de um a cinco anos de prisão.
Camaçari ACM Neto defende liberdade do eleitor e critica tentativa de tutelar voto: 'Não dá para brigar com a vontade do povo'
Camaçari Corpo de jovem desaparecido na praia de Guarajuba é encontrado em Vila de Abrantes
Após confronto “Nego Drama”, investigado por homicídio em Camaçari, morre em confronto em Salvador
Camaçari Buscas por jovem desaparecido na praia de Guarajuba ganham reforço de helicóptero e drone
Justiça Adolescente é apreendido por ato infracional análogo ao crime de estupro de vulnerável em Camaçari
Ação Social Projeto Polo da Gente beneficia mais de 1,3 mil pessoas em Camaçari e Dias d’Ávila