Segunda, 21 de Setembro de 2026 19:00
(71) 99663.6360
Geral Violência Doméstica

“Não aguento mais”: mulher mantida em cárcere privado envia pedidos de socorro para professora do filho na Bahia

Vítima, de 22 anos, relatou ameaças frequentes e pediu ajuda para deixar a situação; suspeito foi preso em Gongogi

03/09/2026 22h38 Atualizada há 3 semanas atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução / Giro em Ipiaú
Foto: Reprodução / Giro em Ipiaú

Uma mulher de 22 anos, mantida em cárcere privado pelo marido na casa da família, em Gongogi, no sul da Bahia, encontrou uma forma de pedir ajuda por meio do filho mais velho, de 7 anos. A vítima escreveu dois bilhetes com relatos de ameaças e agressões e fez com que o menino os entregasse a profissionais da escola. Após receber os pedidos de socorro, a unidade de ensino acionou a polícia, e o suspeito foi preso na quarta-feira (2).

Em um dos bilhetes, a mulher escreveu que não suportava mais a situação e relatou que recebia ameaças de morte com frequência. “Estou escrevendo para pedir ajuda mais uma vez, porque estou que não aguento mais. Quase todos os dias é uma ameaça de morte. Vocês pediram pra eu esperar a ajuda, mas só que essa ajuda nunca chegou”, escreveu.

Em outro pedido, a vítima relatou uma ameaça específica feita pelo marido. “Ele fala em me matar de facão se eu for embora, diz que corta o meu cabelo”, afirmou. Segundo as informações divulgadas pelo g1 e pela TV Santa Cruz, os relatos indicavam que, além do cárcere privado, ela também sofria agressões.

A vítima e o suspeito são pais de duas crianças: o menino de 7 anos e uma criança de 1 ano e dois meses. De acordo com a investigação, o relacionamento começou quando a mulher tinha cerca de 13 anos. Ao longo dos anos, segundo a polícia, ameaças e agressões se tornaram frequentes.

A situação teria se agravado recentemente, quando o homem passou a proibir a mulher de sair de casa e de manter contato com familiares. Diante da restrição, ela utilizou o filho mais velho para conseguir fazer os pedidos de socorro chegarem à escola.

Além dos bilhetes, a vítima também desenhou no caderno do filho uma mulher ajoelhada e chorando. O material foi identificado pela polícia durante a apuração do caso e passou a integrar os elementos utilizados para compreender a situação relatada pela mulher.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Fernando de Souza, dois bilhetes foram enviados à escola antes que as informações chegassem às autoridades. A sequência explica a referência feita pela vítima à espera por ajuda em um dos pedidos.

Após os relatos chegarem à unidade de ensino, um funcionário entrou em contato com a Polícia Militar. Os policiais passaram a monitorar a residência e observaram que a mulher, de fato, não deixava o imóvel, segundo o delegado.

Com base nas informações reunidas durante a apuração, os policiais cumpriram na quarta-feira (2) um mandado de prisão contra o suspeito. Ele foi levado para uma unidade policial e permanece preso nesta quinta-feira (3), quando deve passar por audiência de custódia.

O caso é investigado pelas autoridades policiais. Os relatos apresentados pela vítima nos bilhetes, incluindo as acusações de agressões, ameaças de morte e cárcere privado, integram a apuração que resultou na prisão do suspeito.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.