A declaração do deputado estadual Rosenberg Pinto (PT), líder do governo Jerônimo Rodrigues na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e candidato à reeleição, sobre a possibilidade de voto casado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), provocou repercussão dentro do grupo político governista. Em entrevista a um veículo de comunicação, Rosemberg afirmou que considera “natural” que um eleitor vote em Lula para presidente e em Neto para governador.
“Essa coisa de votar em Neto, de votar em Lula, é natural, às vezes é natural. Eu enxergo isso com muita naturalidade”, declarou o parlamentar. Na sequência, porém, Rosemberg criticou o posicionamento político de Neto e afirmou que o ex-prefeito não deveria, segundo sua avaliação, tentar esconder a presença de nomes ligados ao bolsonarismo em seu palanque.
A fala passou a circular amplamente em páginas e perfis políticos nas redes sociais, especialmente pelo trecho em que o líder do governo admite como natural a combinação dos votos em Lula e Neto. Aliados de Rosemberg chegaram a argumentar que a declaração teria sido retirada de contexto, numa tentativa de amenizar a repercussão negativa.
O problema, segundo pessoas próximas ao governador Jerônimo Rodrigues ouvidas nos bastidores, estaria justamente no fato de a defesa da naturalidade do chamado “voto casado” ter partido de um dos principais integrantes da base governista e líder do governo na Assembleia. A avaliação atribuída a interlocutores de Jerônimo é de que, independentemente das críticas feitas posteriormente a Neto, a declaração inicial abriu uma brecha política que pode ser explorada durante a campanha.
Na entrevista, Rosemberg também afirmou que não vê contradição em um eleitor votar em candidatos de campos políticos diferentes. “Tem gente sim que vai votar em Lula, que vai votar em Neto”, disse. Para o deputado, o problema estaria em eventual tentativa de um candidato de esconder suas alianças ou posições políticas.
O episódio acontece em um momento em que a disputa pelo Governo da Bahia começa a ganhar contornos mais definidos e o voto vinculado entre as eleições estadual e presidencial tende a ser um dos principais temas da campanha. Para o grupo de Jerônimo, a declaração de Rosemberg pode representar um ruído justamente na estratégia de fortalecer a associação entre a candidatura do governador e o projeto político liderado por Lula na Bahia.
Até o momento, não houve manifestação pública de Jerônimo Rodrigues sobre a declaração de seu líder de governo. A repercussão, entretanto, já transformou uma fala apresentada por Rosemberg como uma opinião sobre a liberdade de escolha do eleitor em um novo ponto de tensão dentro da base governista.
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