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Mãe de santo denuncia pastor após imagens de terreiro serem destruídas em Santo Amaro

Ataques aconteceram em agosto, no distrito de Acupe; caso foi encaminhado à Justiça e ninguém foi preso

15/09/2026 11h04
Por: Anderson Almeida Fonte: G1 Bahia
Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Uma mãe de santo denunciou um pastor evangélico após imagens religiosas instaladas em frente ao terreiro Ilê Axé Tonan Onirê serem destruídas em dois episódios no distrito de Acupe, em Santo Amaro, no Recôncavo da Bahia. Os ataques ocorreram nos dias 4 e 30 de agosto. Segundo a Polícia Civil, o inquérito policial foi encaminhado à Justiça no sábado (12). Até o momento, ninguém foi preso.

O terreiro funciona na localidade desde 1998 e, de acordo com Mãe Deca, responsável pelo espaço, esta foi a primeira vez que a casa sofreu um ataque em quase 30 anos de atividade. O primeiro episódio teve como alvo o assentamento de Exu, que permanecia em frente ao templo religioso havia cerca de três anos.

"Ele quebrou o assentamento de Exu e disse que foi Deus quem mandou", contou Mãe Deca. Conforme relatos de testemunhas, o suspeito foi até o local no dia 4 de agosto e danificou o assentamento, chegando a arrancar a cabeça da representação do orixá.

Nas religiões de matriz africana, o assentamento é considerado um espaço sagrado que concentra a energia e a representação material do orixá. Exu é associado à comunicação, sendo considerado mensageiro divino e abridor de caminhos. Após o primeiro ataque, Mãe Deca refez o assentamento e procurou o suspeito, ocasião em que, segundo ela, teria sido ameaçada.

Ainda conforme o relato da mãe de santo, o pastor teria afirmado que destruiria novamente a imagem e que, caso ela tentasse impedir, a "quebraria" também. Pessoas que estavam no local precisaram intervir e segurar os dois para evitar que a situação terminasse em agressão. No dia 30 de agosto, o assentamento foi novamente vandalizado e acabou completamente destruído.

Com orientação da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), Mãe Deca registrou o caso na Delegacia de Santo Amaro e solicitou uma medida protetiva. Para ela, a denúncia é importante não apenas para a segurança dos frequentadores do Ilê Axé Tonan Onirê, mas também para outras comunidades de religiões de matriz africana. "Assim como foi aqui, poderia ter sido em outro terreiro. Isso não pode acontecer", disse.

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