Tribuna Após quase 30 dias de chuva na capital baiana, quem mais sofreu com o dilúvio foram os moradores de encostas de bairros mais humildes de Salvador, como Comércio, Liberdade, Bom Juá e San Martin, onde foram registradas as 21 mortes de pessoas que viviam nestes locais. No entanto, também por conta mau tempo, é possível perceber que algumas encostas de bairros nobres como Garibaldi, Rio Vermelho, Itaigara e Corredor da Vitória passam por deslizamentos e deixam alguns moradores preocupados. Na Avenida Antônio Carlos Magalhães, do lado oposto onde fica o Parque da Cidade, parte da terra cedeu e foi parar perto da pista. Junto da lama, árvores também foram arrastadas. Na parte alta, é possível ver um edifício próximo à encosta. Poucos metros à frente, próximo a uma grande lanchonete, um pequeno deslizamento também chama a atenção de quem passa pela região. Na Rua Oswaldo Cruz, no Rio Vermelho, mesmo com as rochas, é possível perceber que parte da terra cedeu e ocupa toda a calçada. Com isso, os pedestres precisam passar pela pista para continuar o trajeto, correndo risco de acidentes. Acima, na Rua Carijós, fica o edifício Vista Azul. De acordo com zelador do prédio, a síndica já havia feito à solicitação junto a Defesa Civil de Salvador (Codesal), para que uma equipe fosse enviada ao local para realizar uma inspeção. Situações semelhantes são vistas também na Avenida Gabribaldi e na Rua Aloísio de Carvalho, que fica no Corredor da Vitória. Na primeira situação, uma encosta deslizou na tarde da última quarta-feira e levou junto algumas árvores. Por conta disso, uma das vias da avenida, no sentido Iguatemi, precisou ser isolada, o que gerou um pequeno congestionamento. Equipes da Codesal estiveram no local no dia de ontem para a colocação de lonas e limpeza da calçada. O porteiro do edifício Mar do Taiti, que fica na Avenida Cardeal da Silva ? acima do local do incidente ?, informou que, apesar da situação, a estrutura do prédio não corria perigo após a visita de membros do órgão. Chance de desabamento Na Vitória, moradores de dois edifícios registraram, na última sexta, o deslizamento de terra em um terreno onde está sendo construído um empreendimento residencial. Na ocasião, árvores também foram arrastadas. Apesar das situações vistas pela equipe da Tribuna da Bahia, o engenheiro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura da Bahia (CREA-BA), Luis Edmundo Prado de Campos, explicou que a chance de desabamento de prédios próximos a essas encostas é muito pequena. ?Geralmente, são construções com fundações muito profundas. O que pode ocorrer, talvez, é uma queda de uma parede ou parte da garagem, mas nada que vá influenciar na estrutura do edifício como um todo?, tranquilizou. Segundo ele, muitas vezes, as construtoras até ultrapassam a rocha para dar uma maior rigidez na estrutura. ?A profundidade média, nesses casos, chega a 10 metros, mas pode ser ainda maior?, salientou. No entanto, ele advertiu que a contenção da encosta deveria também ser uma preocupação das empresas, já que o que está em volta do edifício faz parte da área a também ser trabalhada. CODESAL Com relação aos deslizamentos relatados no Rio Vermelho e no Itaigara, a assessoria de comunicação da Codesal informou que apesar de estar dando prioridade aos locais de maior risco na capital, vai enviar engenheiros aos locais citados para avaliar se há riscos. Ainda segundo o órgão, a responsabilidade de fazer a contenção de encostas, caso a área seja de particular, é do proprietário do local. Em área pública, a atribuição é da Superintendência de Conservação e Obras Públicas do Salvador (Sucop). (Foto:Reprodução)
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