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Mata de São João Prefeitura

Prefeitura emite nota sobre morte de bebê atendido no Centro de Parto

O caso aconteceu na quarta-feira (24). A morte do bebê de Ludythellen Lavínia foi confirmada no Hospital Roberto Santos em Salvador.

28/01/2018 10h33 Atualizada há 8 anos atrás
Por: Redação
Prefeitura emite nota sobre morte de bebê atendido no Centro de Parto
A prefeitura de Mata de São João emitiu uma nota de esclarecimento, neste sábado (27), sobre a morte de um bebê ocorrido na quarta-feira (24), após ele ser atendido no Centro de Parto Natural.

Na nota, o executivo afirma que Ludythellen Lavínia Queiroz Ferreira estava em condições para realizar o parto normal e que as "contrações uterinas e os batimentos cardíacos fetais evoluíam de forma satisfatória" e que "não havia indicação de submeter a gestante a uma via de parto cirúrgica (cesariana).

Ainda na nota, a prefeitura revela que "foi detectado uma ausência de batimentos cardíacos fetais" no bebê. 



CONFIRA A NOTA DE ESCLARECIMENTO NA ÍNTEGRA 

A PREFEITURA MUNICIPAL DE MATA DE SÃO JOÃO–BA, BEM COMO A SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE VEM ATRAVÉS DESTA SE POSICIONAR E SE SOLIDARIZAR COM A FAMÍLIA A RESPEITO DO DESFECHO TRAUMÁTICO E INESPERADO DO ÓBITO FETAL OCORRIDO NO DIA 24 DE JANEIRO DE 2018.

CABE RESSALTAR QUE A PACIENTE FOI ADMITIDA EM TRABALHO DE PARTO NO DIA 23 DE JANEIRO, ÀS DEZENOVE HORAS E QUARENTA MINUTOS, COM IDADE GESTACIONAL DE 40 SEMANAS E QUATRO DIAS, EM QUE A RECOMENDAÇÃO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE SE FAZ CLARA NOS SEUS MANUAIS E PROTOCOLOS ATUAIS, DE QUE NESTES CASOS, EM GESTANTES DE BAIXO RISCO, ENTRE 14 E 35 ANOS, SEM CIRURGIAS PRÉVIAS, PATOLOGIAS OU USO DE MEDICAÇÃO CONTROLADA, E COM IDADE GESTACIONAL ACIMA DE 37 E ABAIXO DE 41 SEMANAS, ESTÁ INDICADO A VIA DE PARTO NATURAL.

A GESTANTE DURANTE O PERÍODO DE INTERNAMENTO FOI ACOLHIDA E ACOMPANHADA DE PERTO E EM CONJUNTO PELA ENFERMEIRA OBSTÉTRICA ESPECIALISTA E MÉDICA ESPECIALISTA EM OBSTETRÍCIA CONCURSADA DO NOSSO SERVIÇO. A PACIENTE ESTAVA EVOLUINDO NORMALMENTE O TRABALHO DE PARTO, NO QUAL PERIODICAMENTE, SEGUINDO O PROTOCOLO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, A MESMA VINHA SENDO AVALIADA COM O CUIDADO INTEGRAL, EM QUE SUAS CONTRAÇÕES UTERINAS E OS BATIMENTOS CARDÍACOS FETAIS EVOLUIAM DE FORMA SATISFATÓRIA.

NESSE SENTIDO, NÃO HAVIA INDICAÇÃO DE SUBMETER A GESTANTE A UMA VIA DE PARTO CIRÚRGICA (CESARIANA), A QUAL É UMA SITUAÇÃO DE MAIOR RISCO E POSSÍVEIS GRANDES COMPLICAÇÕES, ALÉM DE QUE NÃO SERIA UMA GARANTIA DE UM DESFECHO FAVORÁVEL.

LAMENTAVELMENTE, NO PERÍODO DA TARDE DO DIA 24 DE JANEIRO, DURANTE A AVALIAÇÃO PERIÓDICA, CONFORME O PROTOCOLO PELA OBSTETRA E ENFERMEIRA, FOI DETECTADO UMA AUSÊNCIA DE BATIMENTOS CARDÍACOS FETAIS.

GOSTARIAMOS DE INFORMAR QUE O CENTRO DE PARTO NATURAL DE MATA DE SÃO JOÃO – BA, DESDE A SUA INAUGURAÇÃO, NO DIA 22 DE DEZEMBRO DE 2017, JÁ REALIZOU 31 PARTOS NATURAIS, SEM COMPLICAÇÕES, ONDE A MAMÃE E O BEBÊ RETORNARAM SAUDÁVEIS PARA OS SEUS LARES E BASTANTE SATISFEITAS COM O ACOLHIMENTO E ATENDIMENTO HUMANIZADO. PORÉM, QUANDO EXISTE INDICAÇÃO MÉDICA DE PARTO CESARIANO, A GESTANTE SEMPRE É ENCAMINHADA PARA O HOSPITAL MUNICIPAL DR. EURICO GOULART DE FREITAS, PARA REALIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO PELO MÉDICO OBSTÉTRA E EQUIPE COMPOSTA TAMBÉM PELO ANESTESISTA, CIRURGIÃO GERAL E PEDIATRA.

 VALE DESTACAR QUE A TAXA DE OPERAÇÃO CESARIANA NO BRASIL SITUA-SE EM TORNO DE 56%. ESTUDOS RECENTES DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS) SUGEREM QUE TAXAS POPULACIONAIS DE OPERAÇÃO CESARIANA SUPERIORES A 10% NÃO CONTRIBUEM PARA REDUÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA, PERINATAL OU NEONATAL (MINISTÉRIO DA SAÚDE/ PORTARIA N° 306, DE 28 DE MARÇO DE 2016).


Sobre o caso 

A família de uma gestante de 17 anos acusa o Centro de Parto Natural de Mata de São João, inaugurado há um mês, de negligência após o bebê ter supostamente morrido durante o atendimento realizado entre terça (23) e quarta-feira (24). 


null             Chá de bebê de Ludythellen em novembro de 2017. (Foto: Arquivo Pessoal/Família)


De acordo com relatos de uma prima na rede social, Ludythellen Lavínia Queiroz Ferreira teria dado entrada na unidade sentindo dores na terça, e com perda de líquido amniótico. Na quarta pela manhã, a família da jovem teria solicitado que o parto fosse cesariana, mas a médica que fez o atendimento teria dito que o parto seria normal. 

Segundo as informações, às 14h da quarta, a gestante não estava mais sentindo a criança mexer na barriga e que Ludythellen estava com muitas dores naquele momento. E diante da situação, a médica teria dito que não haveria a possibilidade de atestar a morte da criança pelo fato dos aparelhos do Centro de Parto estarem com problemas. Em menos de uma hora, a gestante foi encaminhada para uma ala do Hospital Eurico Goulart de Freitas, que fica anexo a unidade.

Ainda segundo o relato, após duas horas, a médica informou que a jovem seria regulada para o Hospital Roberto Santos em Salvador, onde foi constatada através de uma ultrassom que o bebê estava morto na barriga da gestante.  

Ainda na publicação, a prima da vítima relata que um médico do Roberto Santos informou que se o parto fosse feito no início da manhã de quarta, a criança estaria viva. 

Na redação do Mais Região, a mãe de Ludythellen, Luciana Queiroz, contou emocionada que no estado em que sua filha se encontrava não tinha condições do procedimento ser normal e que em vários momentos suplicou para que a obstetra fizesse a cesariana. “Eu implorei várias vezes para que a obstetra fizesse cesariana, só faltei me ajoelhar na frente dela. Até se ela [obstetra] falasse que iria transferir para um Hospital particular eu pagaria. A criança já era amada! ”, lamentou.

Luciana informou que o corpo da bebê foi encaminhado nesta sexta-feira para o Departamento de Polícia Técnica, Nina Rodrigues, para ser periciado. Ela disse ainda que procurou a delegacia da cidade e o Ministério Público. A família promete realizar protestos para cobrar Justiça no caso. 


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