Pela segunda vez, em menos de seis meses, os militares estão preocupados com a posição em que foram colocados diante da população, por conta de uma crise, agora provocada pela greve dos caminhoneiros. Um integrante do Alto Comando das Forças Armadas disse ao jornal O Estado de S. Paulo, sob a condição de anonimato, que o governo jogou a crise “no colo” deles de novo, como quando foi decretada a intervenção na segurança pública no Rio de Janeiro.
Ele diz que a crise poderia ter sido evitada se o governo tivesse agido com antecedência. A grande preocupação das Forças Armadas é parecer que os militares querem protagonismo, o que, diz ele, não procede. Além disso, fontes consultadas se queixam que em casos como esses é atribuída uma responsabilidade às Forças Armadas para resolver problemas que não estão apenas nas mãos do Exército, Marinha e Aeronáutica.
A avaliação da cúpula militar, que tem feito pelos menos duas reuniões diárias, por videoconferência, incluindo as três Forças, é que “a situação é muito delicada” e o “quadro se agravou muito nas últimas horas (no domingo)”, mesmo com a desobstrução de rodovias em pontos do Brasil.
Um dos oficiais-generais consultados disse que não adianta liberar estrada se o caminhoneiro não fizer a mercadoria circular. O dia de hoje é considerado crucial para medir a temperatura do que está por vir, mas os militares lembram que surgiu um agravante, com potencial comparado a uma “bomba atômica”: a greve de 72 horas dos petroleiros, anunciada para quarta-feira.
Os militares dizem que estão à disposição para ajudar, sempre dentro do respeito aos preceitos constitucionais e agindo a pedido do Planalto, e não por iniciativa própria. O incômodo é que, quando Temer anunciou a convocação das forças federais para ajudar a restabelecer a ordem, pareceu que os militares iam chegar e, como se fosse papel deles, e resolver a paralisação.
A avaliação é de que todas as medidas foram tomadas de afogadilho, deixando claro para o País a sensação de que tudo que “está dando tudo errado”.
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