O número de baianos aptos a votar na próxima eleição cresceu 2% nos últimos quatro anos, chegando aos 10.393.170. Mas, apesar do crescimento geral, a possibilidade de escolher os próximos ocupantes dos cargos de presidente, governador, senadores e deputados parece não ter animado o eleitorado entre 16 e 17, que pode escolher votar ou não.
Em números absolutos, o total de eleitores nessa faixa etária caiu 120.561 em 2014, para 104.674 agora, o que representa uma redução de 13,17%. Com isso, a participação da faixa de eleitores mais jovens no total caiu de 1,18% do total para 1,01%.
A situação dos jovens baianos é similar à que se verifica no restante do Brasil. Nacionalmente, o número total de eleitores cresceu 3,14%, de 142.822.046 para 147.302.354, enquanto o dos mais jovens caiu 14,53%, de 1.638.751 para 1.400.617, de acordo com dados divulgados ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo os números da Justiça Eleitoral, a Bahia tem o quarto maior colégio eleitoral do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ao todo, estão aptos a votar na próxima eleição pouco mais de 147 milhões de brasileiros. Mais da metade deles, 87,3 milhões, deverá fazer uso da identificação biométrica.
Várias razões
Para o cientista político Joviniano Neto, a redução dos votantes de 16 e 17 anos tem dois aspectos que podem ter influência. O primeiro é o político. “O desinteresse pela política é uma questão. Com um período eleitoral mais curto, deveremos ter menos candidatos a deputado, que são os mais próximos à população. Além da própria situação nacional, com a grande indefinição. Eles podem não sentir estímulo, não veem esperança que seu voto fará a diferença”, analisa.
O segundo aspecto é social. Com a crise econômica e o desemprego, os jovens de 16 e 17 anos, por não serem obrigados a votar, podem não priorizar a participação nas eleições. “A falta de tempo, recursos, acaba levando ao interesse imediato em conseguir um trabalho, estágio, em concluir os estudos ou começar um curso”, defende.
O especialista também cita a questão demográfica, devido ao envelhecimento da população brasileira. No ano passado, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelaram que o grupo de idosos cresceu 16% entre 2012 e 2016.
Na outra ponta do eleitorado que vota facultativamente, o movimento é justamente de crescimento. A participação das pessoas com 70 anos ou mais que se habilitaram para votar nessas eleições aumentou de 6,68% do total do eleitorado, para 6,7%.
Perfil do eleitorado
Se fossem separados dos números da Justiça Eleitoral aqueles que mais se destacam para traçar um perfil do eleitorado baiano, teríamos uma mulher como o gênero mais representado, com 52,70% do total, numa proporção quase idêntica à média nacional.
A faixa etária entre os 30 e os 54 anos concentra metade do eleitorado baiano, com o grupo entre 35 e 39 anos representando individualmente a maioria. Em relação ao estado civil, dois em cada três se declararam solteiros.
Mais da metade do eleitorado no estado (53,94%), estudou até, no máximo, o ensino fundamental. A maior parcela (25,22%) cursou o fundamental incompleto.
Este ano, pela primeira vez, os transexuais poderão adotar os nomes sociais no título de eleitor. Mais de 6,2 mil pediram a inclusão no documento – 318 deles estão aqui na Bahia.
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