O auditório da Câmara Municipal de Mata de São João recebeu na manhã desta quarta-feira (13) autoridades, cidadãos comuns e profissionais das áreas de saúde, educação, direito e ação social, para tratar sobre questões ligadas às políticas para as mulheres.
O Fórum Municipal de Políticas Para as Mulheres, realizado da Secretaria de Ação Social do Município, teve como tema ‘Conscientização da Sociedade na Luta contra a Violência à Mulher.
As ações visam oportunizar melhores condições vida para as mulheres. Principalmente as que sentem na pele o preconceito, o racismo, a falta de oportunidade de ascensão, as más condições de trabalho, a desestruturação familiar e a falta de informação.
Um dado alarmante, apresentado pelo Capitão da Polícia Militar Marco Galo no evento, é que cerca de 35% das ocorrências policiais de Mata de São João são relacionados à violência contra a mulher. Mesmo percentual de Camaçari, segundo a promotora Luiza Amoedo.
Ainda de acordo com o capitão da PM, os números de acionamentos relacionados à violência contra a mulher aumentaram em mais de 25% neste ano, em comparação a 2018. Precisamos saber se a violência de fato aumentou ou se as pessoas passaram a denunciar mais.
Além da promotora e do capitão da PM, formaram a mesa do evento a secretária de Ação Social Mariane França; o presidente da Câmara Municipal Agnaldo Cardoso; o delegado Euvaldo Costo; a enfermeira do Hospital Municipal Eurico Goulart de Freitas Viviane Almeida; e a representante da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado, Kaliana Fontes.
Na oportunidade, foram apresentados os membros do Fórum Municipal de Política Para as Mulheres. A secretária Mariana França destaca o crescente número de agressões físicas, de violência psicológica, de estupro e de armas de fogo contra a mulher no Brasil, apontados pelos indicadores oficiais de Segurança Pública.
“Infelizmente o nosso município está nesta estatística”, lamenta França. “Através das unidades de referência Cras e Creas, atuamos de forma preventiva e protetiva. Há mais de dois anos estamos intensificando nossas ações na abordagem de temas para garantia de direitos para as mulheres”, explica a secretária.
Um dos principais obstáculos no enfrentamento da violência contra a mulher é a omissão. A falta de denúncia. Um levantamento do Instituto Datafolha do inicio do ano, para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indica que 52% das mulheres brasileiras que sofrem violência doméstica não denunciam os agressores.
De acordo com a representante da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres, Kaliana Fontes, além das agressões físicas a mulher sofre diversos outros tipos de violência, que não são identificadas, e por isso não são denunciadas.
“Cabe a nós, enquanto Rede, segmentos de Segurança Pública, Ministério Público, Secretaria de Política para as Mulheres, Cras e Creas, orientar essas mulheres”, diz Kaliana Fontes.
“Devemos ajudá-las a entender que a violência, para ser registrada, não basta ser só física ou sexual. Mas a psicológica, a patrimonial e a moral também destroem a auto-estima, a estrutura psicológica e a vida de uma mulher”, explica.
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