Qual o impacto da mudança presidencial para a natureza?
Apesar de eu gostar bastante de falar (e escrever) sobre política, esta coluna objetiva abordar tópicos da área ambiental. Contudo, o momento singular que vivemos torna-se oportuno falar um pouco sobre a relação direta de ambos assuntos: política e meio ambiente.
Você que está lendo esse texto com certeza já sabe que no último dia 30 tivemos o segundo turno das eleições nacionais, no qual elegeu-se Luiz Inácio Lula da Silva como o próximo presidente da república, substituindo Jair Bolsonaro. Independente de qual tenha sido a sua escolha, o Brasil será regido pelos próximos 4 anos por Lula. O que deve mudar na área ambiental?
Como já mencionado em outros momentos, o Brasil possui uma das mais ricas diversidades biológicas do mundo, uma natureza exuberante repleta de distintas espécies de plantas, insetos, aves, peixes, répteis, anfíbios, mamíferos, etc. Somos privilegiados e nem sempre lembramos disso ou da importância que isso tem. Mas, cada vez mais o mundo chega à um consenso: Estas riquezas imensuráveis precisam ser cuidadas e protegidas.
Quando analisamos a questão ambiental dos últimos anos, principalmente na gestão Bolsonaro, fica evidente que estamos passando pelo período mais crítico e delicado em décadas. Houve incentivo às invasões, grilagens e garimpo em áreas protegidas, além do sucateamento dos orgãos de fiscalização, conforme Relatório apresentado na semana passada na Comissão de Meio Ambiente. Não podemos esquecer também que o ex-Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, aquele famoso por querer ‘passar a boiada’, foi exonerado (junho/21) em meio a investigação por tráfico internacional de madeira. Essa política retrógrada afastou importantes fundos internacionais e dificultou ainda mais os trabalhos de monitoramento e proteção destas áreas, além de deixar o país com uma imagem negativa frente às questões ambientais, das quais sempre foi protagonista.
As políticas ambientais que serão de fato tomadas por Lula ainda são incertas, promessa é uma coisa, execução é outra, em seus governos anteriores houveram acertos e erros, ainda assim o cenário é bastante otimista. Lula está dialogando com diferentes lideranças ambientalistas, inserindo a pauta climática em suas propostas e firmando compromissos importantes e necessários, como redução do desmatamento, aumento na fiscalização da invasão de terra indígena, redução das emissões de CO2 de acordo com as metas firmadas no Acordo de Paris, transição energética e descarbonização. Uma agenda completamente oposta da atual.
Após a vitória, países como Noruega e Alemanha, que deixaram de financiar o Fundo Amazônia durante o governo Bolsonaro, informaram que estão dispostos a retomar o financiamento a partir de janeiro de 2023. Isso por si só não resolve nossos problemas, mas reacende uma centelha de esperança, de que apesar das grilagens, das queimadas, dos desmontes das instituições, podemos reassumir o protagonismo no combate ao garimpo ilegal e ao desmatamento, sendo exemplo na conservação da biodiversidade e na proteção dos nossos biomas.
Ao menos, é o que eu desejo.
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