Um ex-funcionário da Voepass afirmou, em entrevista ao portal g1, que uma falha no sistema de degelo do ATR 72-500 que caiu há um ano foi omitida do diário de bordo técnico (TLB) poucas horas antes do acidente. O alerta havia sido comunicado verbalmente por um piloto que usou a aeronave durante a madrugada, mas não foi registrado formalmente, o que impediu a ação da equipe de manutenção.
De acordo com o ex-funcionário, o comandante relatou que o sistema de degelo desarmava sozinho durante o voo, algo que "não poderia acontecer". Mesmo assim, a falha não foi investigada. O profissional afirmou que, por pressão da diretoria, os funcionários eram orientados a não manter aeronaves paradas, mesmo em casos de possíveis falhas técnicas.
A aeronave, que decolou de Ribeirão Preto (SP) com destino a Cascavel (PR), deveria ter sido impedida de voar, conforme determina o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil, que exige pleno funcionamento do sistema de degelo em voos com previsão de formação de gelo. O avião caiu pouco tempo depois da decolagem, deixando vítimas fatais.
Ainda segundo o relato, a liderança do turno optou por ignorar o problema após constatar que não havia registro escrito no TLB. “Esse era o legado da empresa: se o comandante reporta, tem ação de manutenção; se não reportou, eles não vão perder tempo com nada que ele falar”, afirmou o ex-funcionário, que acompanhou a última manutenção da aeronave.
As causas oficiais do acidente ainda estão sob investigação pelas autoridades aeronáuticas brasileiras.
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