A Polícia Federal identificou que agências da Caixa Econômica Federal e do Santander foram usadas para movimentar R$ 331 milhões em dinheiro vivo por uma organização criminosa ligada ao setor de combustíveis, investigada na Operação Tank. Foram realizados 9.560 depósitos sem identificação dos depositantes, descumprindo normas do Coaf que exigem comunicação de transações suspeitas acima de R$ 30 mil. A fintech Tycoon, usada como intermediária, operava com ordens de crédito e "contas-bolsão", dificultando o rastreamento dos verdadeiros donos do dinheiro. As informações são do Estadão.
Na Caixa, a Tycoon movimentou R$ 164,9 milhões em duas contas abertas em Guarulhos (SP), com 98% dos valores provenientes de depósitos em espécie. Mesmo após oito solicitações da PF, o banco demorou seis meses para identificar o depositante como Rafael Belon. Já no Santander, foram R$ 91,2 milhões movimentados na agência de Curitiba, com créditos marcados como “coleta de valores”, mas sem identificação dos donos do dinheiro, mesmo sabendo que os recursos vinham de postos de gasolina.
O relatório da PF afirma que os bancos facilitaram, ainda que por omissão, a ocultação da origem ilícita dos recursos, operando sem análise de risco e sem cumprir integralmente as exigências legais. A Tycoon e o BK Bank movimentaram mais de R$ 1,24 bilhão em operações com indícios de lavagem de dinheiro, segundo a PF. Os empresários Roberto Leme da Silva (Beto Loco) e Mohamad Hussein Mourad (Primo), apontados como líderes do esquema e ligados ao PCC, estão foragidos após terem prisão decretada.
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