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Camaçari Indústria automotiva

Disputa por incentivos coloca produção da BYD em Camaçari no centro de embate nacional

Isenção para veículos eletrificados desmontados vence no fim de janeiro e divide montadoras e governo federal

20/01/2026 13h38 Atualizada há 5 meses atrás
Por: Redação Fonte: Mais Região
Reprodução / Arquivo Mais Região
Reprodução / Arquivo Mais Região

O prazo da isenção do imposto de importação para veículos eletrificados nos modelos CKD e SKD, formato usado atualmente pela BYD em sua fábrica de Camaçari, termina no próximo dia 31 de janeiro. O benefício, concedido em julho de 2025, autorizou uma cota extra de US$ 463 milhões por seis meses com alíquota zero e impacta diretamente a estratégia da montadora chinesa no Brasil. As informações são da reportagem do Correio.

Com o fim do prazo se aproximando, a Anfavea pressiona o governo federal para que a isenção não seja renovada. Em nota, a entidade afirma que a manutenção do incentivo pode resultar na eliminação de até 69 mil empregos diretos no setor automotivo, além de efeitos negativos sobre a arrecadação e a cadeia produtiva.

A associação também alerta para possíveis impactos em cerca de 227 mil postos de trabalho indiretos e perdas bilionárias, argumentando que a ampliação do modelo CKD/SKD reduziria a produção local, afetando fornecedores, centros de engenharia, universidades e o desenvolvimento tecnológico nacional.

A tensão ganhou força no primeiro semestre de 2025, quando a BYD solicitou a prorrogação da isenção até junho de 2028, alegando necessidade de incentivo enquanto estrutura a produção nacional. O pedido foi classificado como concorrência desleal por montadoras tradicionais instaladas no país, como Volkswagen, General Motors, Stellantis e Toyota.

À época, as empresas enviaram carta ao presidente Luiz Inacio Lula da Silva defendendo o fim do benefício e alertando para o risco de “importação disfarçada” com baixo impacto em empregos. Agora, com o prazo prestes a expirar, a pressão aumenta: de um lado, a BYD busca manter o modelo atual enquanto amplia a produção; de outro, as montadoras defendem o encerramento imediato da isenção para evitar, segundo elas, um processo de desindustrialização.

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