O ex-ministro da Justiça e jurista Miguel Reale Jr. rechaçou a possibilidade de uma delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, preservar ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Advogados que acompanham o caso Master relataram ao analista Caio Junqueira, da CNN, que a ideia inicial do ex-banqueiro para uma delação premiada é mirar políticos e poupar o Supremo Tribunal Federal.
“Vorcaro não pode pautar a própria delação e poupar o STF. Isso não seria delação, mas arrumação”, disse Reale à CNN.
Ainda segundo o ex-ministro, o Ministério Público pode anular a delação se souber que o delator tentou preservar alguém ou omitiu informações.
O advogado constitucionalista Pedro Serrano concorda com Reale, mas faz uma ressalva.
“O Vorcaro não pode poupar ninguém, mas o STF precisa autorizar investigações contra membros da Corte”, disse Serrano.
A leitura entre os juristas é que seria ruim para a imagem de Mendonça e do próprio STF se for feito um pedido de investigação a partir da delação e enviado pela PGR e/ou PF.
“Se Vorcaro fizer uma delação parcial ou inverídica, os vários celulares pendentes de perícia o desmentirão. Havendo contradição ou omissão entre depoimento e o conteúdo dos celulares, a delação perde validade e ele os benefícios”, afirmou o advogado André Marsiglia, professor de direito Constitucional.
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