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Política em Foco Baixa

Brasil e Argentina vivem maior crise diplomática em 30 anos

Participação do presidente Javier Milei em ato político desencadeou conflitos

28/07/2026 11h00
Por: Redação Fonte: A Tarde
Reprodução / Luis Robayo/ AFP
Reprodução / Luis Robayo/ AFP

O Brasil e a Argentina vivem uma grave crise diplomática desde a participação turbulenta do presidente argentino Javier Milei na convenção partidária do PL, que confirmou o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República no último sábado, 25.

Em solo brasileiro, Milei disparou ofensas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamando-o de "presidiário".

O líder argentino também criticou a economia brasileira e, sem citar o nome diretamente, chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de "lixo careca".

As declarações provocaram reações imediatas do governo federal. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manifestou pessoalmente o repúdio do Brasil ao embaixador da Argentina, Daniel Raimondi.

Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou Milei de "palhaço" ao rebater as críticas à economia brasileira.

Especialistas e a própria imprensa dos dois países apontam este momento como o pior e mais profundo tensionamento nas relações bilaterais dos últimos 30 anos.

203 anos de amizade manchada

Em nota divulgada na segunda-feira, 27, o Ministério das Relações Exteriores classificou a postura de Milei como inédita nas relações entre os dois países.

"Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário e ao povo brasileiro", afirmou a pasta.

O Itamaraty lembrou ainda que Brasil e Argentina mantêm 203 anos de relações diplomáticas e destacou que o país vizinho é um dos principais parceiros comerciais brasileiros.

Última grande crise ocorreu em 1973

A última grande crise entre Brasil e Argentina ocorreu em 1973, após a assinatura do Tratado de Itaipu entre Brasil e Paraguai. A Argentina se opôs ao acordo por envolver o uso de águas compartilhadas na região de fronteira, o que gerou um embate diplomático entre os países.

O episódio foi superado com o tempo, e as relações voltaram a ser marcadas pelo diálogo bilateral.

Anos depois, porém, a proximidade entre os governos de Jair Bolsonaro e Alberto Fernández passou a ser apontada como um novo momento de desgaste, que antecedeu a atual crise.

Ação cautelosa

Apesar do embate político, o Itamaraty trabalha para preservar a relação comercial entre os dois países.

A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil e um mercado estratégico para a indústria automotiva nacional.

A estratégia do governo brasileiro é manter o conflito restrito ao campo político e ideológico, garantindo que as fronteiras, os acordos do Mercosul e o fluxo comercial continuem funcionando normalmente.

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