O protesto pela morte de Leonardo Gil Lima, conhecido como Léo Lanches, bloqueou a Avenida Paralela, em Salvador, na manhã deste sábado (1º). A manifestação ocorreu uma semana após a morte do comerciante durante uma ação da Polícia Militar em São Cristóvão. Na noite de sexta-feira (31), familiares de Leonardo haviam se reunido com o secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, para cobrar esclarecimentos e acompanhar o andamento das investigações.
O bloqueio provocou lentidão no trânsito da Avenida Paralela e ocorreu no mesmo período em que Salvador recebeu a convenção estadual da Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV), realizada no Parque de Exposições. O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do governador Jerônimo Rodrigues (PT), do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), do senador Jaques Wagner (PT) e de outras lideranças da base aliada.
A chegada de caravanas de diferentes municípios da Bahia para a convenção também contribuiu para o aumento do fluxo de veículos na região e para os pontos de retenção registrados ao longo da manhã. A manifestação acrescentou outro fator de impacto ao trânsito da área.
Na noite de sexta-feira (31), familiares de Leonardo Gil Lima se reuniram com Marcelo Werner para cobrar respostas sobre as circunstâncias da morte do comerciante. O encontro contou ainda com a participação do secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas; do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Antônio Carlos Silva Magalhães; de representantes da Polícia Civil, da Corregedoria da PM e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), além de advogados e amigos da família.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), durante a reunião foram apresentados detalhes sobre o andamento das investigações conduzidas pelo DHPP, as medidas administrativas adotadas pela Polícia Militar e as ações de assistência social que serão oferecidas aos familiares.
A SSP-BA informou que, na próxima semana, será elaborado, em parceria com o Núcleo de Apoio às Vítimas de Crimes Violentos do Ministério Público da Bahia (MP-BA), um plano de acolhimento para os familiares diretos de Leonardo. Também foi criado um canal direto de comunicação entre a família e os órgãos estaduais responsáveis pelo acompanhamento das investigações.

Leonardo tinha 33 anos e havia inaugurado a própria lanchonete em São Cristóvão poucos dias antes de morrer. O estabelecimento foi inaugurado em 19 de julho, e o comerciante havia comemorado a realização do projeto nas redes sociais. Na noite de 23 de julho, ele foi baleado durante uma ação da 49ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), na localidade de Lessa Ribeiro.
Segundo a Polícia Militar, equipes da 49ª CIPM foram recebidas a tiros por suspeitos e reagiram. Após a troca de tiros, Leonardo foi encontrado ferido e socorrido para o Hospital Menandro de Farias, mas não resistiu. A corporação informou que os policiais envolvidos utilizavam câmeras corporais e que as imagens serão analisadas durante a investigação.
Familiares e moradores contestam a versão apresentada pela PM. Eles afirmam que Leonardo não tinha ligação com atividades criminosas e que não houve confronto no momento em que ele foi atingido. Os relatos fazem parte do contexto que está sendo analisado pelas autoridades para esclarecer a dinâmica da ocorrência.
Após a morte do comerciante, moradores realizaram protestos em São Cristóvão, com bloqueio de vias e incêndio de um ônibus. No dia seguinte, o transporte coletivo chegou a ser suspenso na região. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar abriu uma investigação para analisar a atuação dos agentes envolvidos.
Os policiais relacionados à ocorrência foram afastados das atividades operacionais. O governo estadual também informou que as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos agentes serão analisadas como parte da apuração.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar. Além das imagens das câmeras corporais, os órgãos responsáveis pela apuração deverão analisar os demais elementos reunidos para esclarecer a dinâmica da ação e as circunstâncias em que Leonardo foi atingido.
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