O corpo do cantor Netinho será cremado em uma cerimônia reservada a familiares e amigos próximos, conforme informou a assessoria do artista. O velório também será restrito, por desejo expresso do próprio músico. Os detalhes sobre data, horário e local das cerimônias não foram divulgados. Netinho morreu na terça-feira, 13 de outubro, aos 60 anos, em Salvador, após complicações de um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
O cantor foi diagnosticado com a doença em março de 2025, depois de ser internado no Hospital Aliança Star, na capital baiana, com fortes dores nas pernas. Nos meses finais de tratamento, costumava falar sobre a própria trajetória e afirmar que se sentia feliz e realizado com a vida que teve. Segundo a assessoria, ele enfrentou a doença com tranquilidade.
Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior, em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, Netinho mudou-se com a família para Salvador aos 10 anos. Foi na capital que teve contato com a música e começou a construir a carreira artística. Aos 14 anos, ganhou o primeiro violão da mãe e, aos 16, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal). Durante os estudos, conciliava a formação acadêmica com apresentações em escolas e, posteriormente, passou a tocar profissionalmente em bares, com repertório de música popular brasileira e bossa nova.
Em 1988, Netinho estreou como vocalista da Banda Beijo no Carnaval de Salvador. No mesmo ano, ganhou projeção nacional com a música “Beijo na Boca”. A canção abriu caminho para outros sucessos, como “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida é Festa”.
O maior sucesso de sua carreira foi “Milla”, lançada em 1996, três anos depois do início de sua trajetória solo. A música tornou-se um dos símbolos do axé music e consolidou o cantor como um dos nomes conhecidos nacionalmente do gênero. Netinho também levou a música baiana para outros países, com apresentações internacionais, incluindo Itália e Chile.
Além da carreira como intérprete, Netinho investiu no setor musical como empresário. Ele abriu um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, que recebeu artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. Também criou um selo musical voltado ao lançamento de novos artistas baianos.
Na vida pessoal, foi casado com a jornalista Mariana Trindade entre 1997 e 2003. Os dois tiveram uma filha, Bruna Trindade.
A morte do cantor encerra uma trajetória de quase quatro décadas ligada ao Carnaval de Salvador e à difusão do axé music no Brasil e no exterior. Sua voz e canções, especialmente “Milla” e “Beijo na Boca”, marcaram diferentes gerações de foliões e ajudaram a consolidar o gênero como uma das principais expressões da música baiana.
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