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Política em Foco Eleições 2026

Flávio Bolsonaro diz que vai pedir anulação da eleição após derrota para Lula: 'É impossível reconhecer'

Derrotado por Lula, senador anunciou que pedirá a anulação do segundo turno e criticou decisão sobre o horário de votação

25/10/2026 23h36
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa pela Presidência da República, afirmou na noite deste domingo (25) que não reconhece o resultado do segundo turno das eleições de 2026 e que recorrerá à Justiça para pedir a anulação do pleito. O candidato questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação do horário de votação em meio a relatos de dificuldades no transporte público em diferentes regiões do país.

Em pronunciamento após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio classificou a decisão judicial como inaceitável e alegou que a medida alterou as regras durante a realização da eleição. “O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável”, declarou. O senador também criticou o fato de a decisão ter partido de Zanin, a quem se referiu como ex-advogado de Lula, e afirmou que o ministro teria desconsiderado a competência da Justiça Eleitoral ao determinar a extensão do horário.

Ao contestar o resultado, Flávio afirmou que seria “impossível” reconhecer a eleição nas circunstâncias em que ocorreu e anunciou que a equipe jurídica de sua campanha pediria a anulação. “É inexplicável ter acontecido o que aconteceu”, disse. O candidato também alegou quebra de isonomia entre eleitores de diferentes cidades e estados e declarou que não saberia quantos votos poderia ter recebido nos locais em que a votação não foi prorrogada.

A decisão de Cristiano Zanin foi tomada após a campanha de Lula pedir a ampliação do horário de votação para além das 17h, diante de relatos de dificuldades de acesso ao transporte público. Inicialmente, o ministro determinou a extensão por até duas horas, até as 19h, em todo o país. Posteriormente, esclareceu que a medida deveria ser aplicada somente às seções eleitorais que ainda estivessem abertas, sem reabertura das urnas que já haviam sido fechadas. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais a cumprir a determinação nos locais ainda em funcionamento. 

A contestação de Flávio ocorreu apesar de sua própria campanha ter solicitado, naquela tarde, a prorrogação do horário de votação em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O pedido apresentado pelo candidato do PL citou chuvas intensas e dificuldades de deslocamento dos eleitores. A solicitação, portanto, tinha abrangência e justificativas diferentes do pedido nacional apresentado pela campanha de Lula, que apontou restrições no transporte coletivo em diversas localidades. 

Após a confirmação da vitória de Lula, Kassio Nunes Marques declarou ter segurança sobre a regularidade do processo eleitoral. O presidente do TSE afirmou que a Corte cumpriu a decisão judicial nos termos estabelecidos e que a prorrogação não provocou alterações no procedimento de votação e apuração. “Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, declarou. 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou sobre o processo eleitoral. O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, afirmou que o Ministério Público cumpriu sua missão de fiscalizar a votação, combater irregularidades e atuar para garantir que a vontade dos eleitores fosse respeitada. Em declaração sobre o pleito, destacou que o respeito à escolha manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas e a legitimidade da representação política.

A vitória de Lula foi confirmada pelo sistema do TSE às 21h08, quando cerca de 97% das urnas já haviam sido apuradas. Naquele momento, o presidente registrava 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio. Com a conclusão da apuração, Lula terminou o segundo turno com 51,77%, enquanto o senador obteve 48,23%. O resultado garantiu ao petista um quarto mandato presidencial. 

A disputa foi marcada por uma virada em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na primeira etapa, Flávio havia recebido 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. O resultado do segundo turno tornou Lula o primeiro presidente brasileiro eleito quatro vezes pelo voto popular e o primeiro candidato, desde a adoção do sistema de dois turnos pela Constituição de 1988, a reverter uma desvantagem no primeiro turno e vencer a eleição presidencial na etapa final.

Lula chegou à Presidência pela primeira vez em 2002, foi reeleito em 2006 e retornou ao Palácio do Planalto em 2023, após derrotar Jair Bolsonaro, pai de Flávio, nas eleições de 2022. Sua trajetória política também foi marcada por três derrotas em disputas presidenciais, condenações posteriormente anuladas pelo STF e 580 dias de prisão. A nova vitória assegurou ao petista mais quatro anos à frente do Poder Executivo, em um cenário que deverá incluir negociações com uma oposição expressiva no Congresso Nacional.

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