A líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, a baiana Alice Portugal, avalia que entre os resultados da mobilização de Porto Alegre durante o julgamento de Lula no TRF-4 está a união de partidos democráticos e da esquerda com os movimentos sociais, segundo ela, trabalhando pela retomada da democracia no Brasil.
De acordo com Alice Portugal, a injusta condenação de Lula na última quarta-feira sedimenta uma "ampla frente para derrotar os efeitos do golpe", como define o impeachment de Dilma Rousseff (PT).
O PCdoB, que tem Manuela D´Ávila como pré-candidata à presidência da República, defende o direito de Lula concorrer. "Mesmo que tenhamos no primeiro turno candidaturas diferentes, não haverá desunião da esquerda". Quanto à possiblidade do petista ficar de fora da corrida eleitoral, Alice pondera ser cedo para redefinição de rumos, mas afirma que "a democracia vale mais do que qualquer candidatura".
A senadora baiana Lídice da Mata, que lidera o PSB no Senado, também entende ser cedo para prever impactos de Lula fora das eleições, e criticou o que vê como um "um plano claro de criminalização da política" e que teria entre as consequências estimular pessoas de fora do campo político a se candidatarem. "Como se a pureza da política adviesse da negação de sua classe", lamentou.
A senadora também reforçou as mobilizações, inclusive da opinião pública, jurídica e intelectual, registradas por conta do julgamento, que, segundo ela, cria um mito. "Lula já era uma pessoa com carisma extraordinário e passa a ser um mito. É como se fôssemos conviver a partir de agora com Getúlio vivo", explicou.
Wagner
Do PDT, o deputado baiano Félix Mendonça Júnior classifica Lula como um candidato forte, que fortalece o PT se puder concorrer. De toda forma, destaca que o seu partido tem candidato próprio, Ciro Gomes, e que independentemente do cenário, será mantido. Ciro, por sua vez, pelas redes sociais, afirmou torcer para que Lula consiga reverter a decisão do TRF-4 nas próximas instâncias.
Sem Lula, o parlamentar baiano lembra que outros nomes poderiam entrar na disputa, como o governador Rui Costa e o ex-ministro e ex-governador Jaques Wagner.
Quanto a uma possível candidatura de Jaques Wagner à presidência, a assessoria dele insiste que Wagner concorre ao Senado. Mas avalia que "se, eventualmente, houver um impedimento definitivo [da candidatura de Lula], aí sim serão pensadas estratégias alternativas".
Depois do julgamento, o presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, registrou em nota repudiar a condenação sem provas e defendeu o direito de Lula concorrer: "Estaremos juntos nessa batalha, construindo uma alternativa política de direitos para o Brasil".
A pré-candidata pela Rede Sustentabilidade, Marina Silva, soltou uma nota, ontem, em que pede "responsabilidade de todas as figuras públicas e cidadãos diante do momento delicado que vive o País". Para a pré-candidata, "primeiro passo é acatar as decisões da Justiça e defender os trâmites de revisão dessas decisões, dentro de critérios técnicos, independente da conjuntura política".
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