Intimada a depor na ação movida pelo juiz federal Sergio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato, contra Luís Inácio Lula da Silva, Mônica Moura alegou que os serviços que prestou como publicitária na campanha de reeleição do ex-presidente, em 2006, foram pagos por meio de caixa 2.
Nas contas de Mônica, o Partido dos Trabalhadores (PT) chegou a pagar mais da metade do valor que ela e o marido, o marqueteiro João Santana, cobraram. Conforme O Globo, a publicitária contabiliza que dos R$ 18 milhões cobrados pelos dois, por meio da empresa Pólis Propaganda e Marketing Ltda, R$ 10 milhões saíram de caixa 2 e R$ 8 milhões dos cofres oficiais.
A publicitária contou ainda, no depoimento desta segunda-feira (5), que o marido chegou a alertar o ex-ministro Antônio Palocci sobre os "riscos" deste "método" de pagamento. "A decisão era absolutamente deles (PT), de receber por caixa 2. Para mim, (pagamento oficial) era menos risco, mais tranquilo, não tinha que carregar mala de dinheiro para lugar nenhum ", afirmou Mônica, segundo o jornal.
Mônica Moura contou ainda que o dinheiro do caixa teria vindo da Odebrecht. "Nesta eleição (2006), já recebemos parte oficial e parte caixa dois. E a Odebrecht pagou o caixa 2. Foi o primeiro ano que tivemos relação com a Odebrecht, que pagou parte no Brasil e parte no exterior".
Segundo a prestação de contas da campanha de Lula, que consta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Pólis recebeu R$ 13,75 milhões. Os contatos do casal no PT seriam Antônio Palocci e o tesoureiro João Vaccari.
A publicitária destacou ainda que "todos os partidos praticam caixa 2", mas que, a partir de 2006, trabalhou majoritariamente para campanhas do PT, como a de Marta Suplicy em 2008, para a prefeitura de São Paulo, e a da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010.
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