O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira (7) que não existe um “plano B” para o caso de a reforma da Previdência não ser aprovada na volta do recesso parlamentar. Ele confirmou que o governo considera o fim de fevereiro a data limite para votar o tema no Congresso.
"Março é pouco provável. O que se está trabalhando como meta de fato é este mês", disse o ministros a jornalistas após participar de evento em São Paulo. "Não tem plano B. No momento, a ideia é aprovar a reforma".
Meirelles foi na mesma direção que as recentes afirmações de Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, que disse em entrevista que o limite para votar a reforma da Previdência é fevereiro.
Maia afirmou que, se a articulação com governadores resultar em cerca de 300 votos na semana do dia 20 de fevereiro, data marcada para a votação, a previdência vai a plenário.
O líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disse também nesta quarta que a intenção do governo é ter a reforma da Previdência aprovada na Casa até o dia 28 de fevereiro.
'Número de votos está aumentando', diz ministro
Meirelles admitiu que o governo ainda não tem o número de votos necessários para aprovar a reforma, mas destacou que o número de votos favoráveis "está gradualmente aumentando".
O governo tenta aprovar a reforma da Previdência como tentativa de reordenar as contas públicas, e já chegou a recuar em alguns pontos do projeto original para tentar facilitar sua aprovação. A discussão da reforma no plenário da Câmara está marcada para começar no dia 19. Se aprovada na Casa, a proposta vai para o Senado.
Por isso, o governo corre contra o tempo a fim de conquistar os votos que faltam. Para ser aprovado, o texto da reforma precisa dos votos de 308 dos 523 deputados e de 49 dos 81 senadores.
Economia abaixo de 60% da reforma original
O projeto inicial do governo previa uma economia nos gastos com aposentadorias de pouco menos de R$ 800 bilhões em dez anos. Com as mudanças apresentadas pelo relator no final do ano passado a economizamos gastos foi estimada em cerca de R$ 600 bilhões em 10 anos ou 60% da proposta original.
Agora, com a possibilidade de novas alterações no texto final em troca de mais votos, Meirelles estima que a economia será abaixo de R$ 600 bilhões, ainda acima de 50% do que seria possível garantir com a proposta original do Executivo.
"Estamos acima de 50% [da economia estimada com a proposta original] neste momento. Vamos aguardar. O que interessa é o resultado, e vamos trabalhar para ter um resultado aceitável e que dê confiança à economia brasileira".
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