A saída de sete ou oito secretários, que serão candidatos a deputado estadual, federal e até ao Senado, como supostamente é o caso de Jaques Wagner (PT), que ocupa a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, tem de ocorrer, pela legislação eleitoral, até o dia 6 de abril.
Além de Wagner, devem deixar pastas do Executivo estadual mais dois secretários do PT: Josias Gomes (Relações Institucionais) e Carlos Martins (Direitos Humanos e Desenvolvimento Social); a comunista Olívia Santana (Trabalho, Emprego, Renda e Esporte) e o pedetista Vítor Bonfim (Agricultura). Outros candidatos seriam Jusmari Oliveira (Desenvolvimento Urbano), filiada a PSD; Walter Pinheiro, hoje sem partido e à frente da Educação; e Vivaldo Mendonça (Ciência e Tecnologia).
Rui, dizem fontes de sua cozinha, quer que a intervenção seja cirúrgica e calcada em perfis técnicos e, por isso, os substitutos ainda não estão definidos. Contudo, partidos já mapeiam indicações. Um dos focos do governador é o de descolar a 'dança das cadeiras' à composição da chapa. Mas parte de aliados ouvidos por A Tarde acredita que não há como separar as duas coisas.
"Vou começar no final de fevereiro alguma mudança. O prazo é abril, mas não vou deixar para a última hora. Já estou fazendo o desenho que pode, inclusive, afetar outras secretarias (...). Ainda estou avaliando e, a depender do número de saídas, fazer remanejamentos necessários", afirmou o governador no domingo de Carnaval.
Ele completou que nenhum tipo de acordo (para a chapa) se dará em troca de cargos, e mandou recado aos aliados: "O que todo mundo vai querer, quem não está na chapa, é que se tenha um apoio extra, para eleger deputados, principalmente federais". Justificou que, a partir da nova legislação eleitoral aprovada no Congresso, o número de cadeiras na Câmara Federal influenciará financiamento e tempo de TV.
Articulações
Josias Gomes e Carlos Martins, ambos indicados pelo PT, são candidatos a deputado federal. O presidente estadual do PT, Everaldo Anunciação, diz que os substitutos ainda não estão definidos, dependendo, obviamente, de conversa com o governador Rui Costa, maior liderança política da sigla. "Claro que vamos ouvir o governador. Mas, de antemão, o perfil adequado [de substitutos] será aquele que mantiver o nível da administração. A ideia é evitar a descontinuidade. Em relação aos espaços, acredito que sejam mantidos os mesmos para os partidos", sugere.
Nos bastidores o que se comenta é que embora Wagner seja candidato ao Senado, poderia abrir mão da vaga na chapa saindo a federal, caso haja necessidade de abrigar outro aliado. Caso saia ao Senado, o que é mais provável, e seja eleito, a suplência também já estaria sendo negociada, uma vez que Wagner pode ser novamente indicado a secretário ou até a ministro, caso o grupo político do PT vença as eleições para o Planalto. O deputado federal Ronaldo Carletto deixaria o PP de João Leão e migraria para o PR, sendo o 1º suplente de Wagner no Senado.
Há meses Carletto articula sua filiação no PR, para onde levaria pelo menos cinco deputados do PP, entre federais e estaduais. Mas a suplência ao Senado, ajudaria Rui a manter o PR em sua base, já que a sigla vem conversando com o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), provável adversário de Rui nas eleições de outubro. O PR estaria querendo, ainda, a porteira fechada do Turismo para permanecer na base de Rui. O PR já tem o secretário de Turismo, José Alves, mas teria interesse na gestão da Bahiatursa, hoje nas mãos de Diogo Medrado, filho do deputado federal Marcos Medrado, do Podemos.
Andréa e Jusmari
A indicação para substituir o pedetista Vítor Bonfim na Agricultura, que também disputará uma vaga na Assembleia Legislativa, deve ser a da chefe de gabinete do secretário, a vereadora licenciada Andrea Mendonça, caso ela, de fato, abra mão de sair candidata a deputada estadual – revela o presidente estadual da sigla, deputado federal Félix Mendonça. No caso de a ex-vereadora querer disputar, outros nomes já estariam mapeados. Felix Mendonça, contudo, preferiu não antecipar.
"Tem conversas internas e conversas com o governo. O PDT espera ter uma participação na chapa majoritária, já que o PDT nacional já indicou meu nome. Essa minirreforma não se dará sozinha, deve estar ligada à chapa", posiciona-se Félix.
Já a secretária Jusmari Oliveira, do Desenvolvimento Urbano, filiada a PSD, um dos partidos mais importantes da base de apoio de Rui, que tem o senador Otto Alencar à frente da presidência, tem – ou pelo menos, tinha – a pretensão de sair candidata a deputada estadual. Nesta última semana, contudo, ela revelou que Rui pediu que ficasse. A secretária ficou de analisar o caso e tem 20 dias para dar a resposta.
Nos bastidores o que se diz é que Rui estaria sondando a secretária para que, caso não saia – e sabe-se que ela tem grande chance de ser eleita –, possa acomodar outro nome na disputa para o Legislativo e, assim, agradar a mais aliados. A Tarde não conseguiu contatar o senador Otto Alencar para comentar o fato.
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