O governador Rui Costa (PT) afirmou, nesta segunda-feira (26), que confia na lisura e na correção do ex-governador Jaques Wagner (PT), um dos alvos da operação Cartão Vermelho, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar irregularidades na contratação dos serviços de demolição, reconstrução e gestão da Arena Fonte Nova.
"Conheço o ex-governador Jaques Wagner (atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico) há 35 anos, tenho confiança na sua lisura, na sua correção, e o processo de investigação comprovará essa lisura do que foi feito", disse Rui.
Ele destacou que a Fonte Nova foi o estádio mais barato entre os construídos no país. "Os dados e números que tenho apontam que o estádio da Fonte Nova foi o mais barato, seja por metro quadrado seja por assento, dentre os construídos no Brasil. Isso por si só merece destaque", enfatizou.
Ele disse defender a necessidade de que todos sejam apurados dentro da lei, mas com imparcialidade. "Para construir um país democrático e forte, a gente precisa reafirmar a necessidade de que todos sejam apurados dentro da lei, mas que a gente corrija as ações da Justiça, policiais, para que não sirvam a espetáculos midiáticos. Nosso pais, infelizmente, só reafirma essa tendência de parcialidade de quem deveria ser imparcial no processo de investigação", ponderou Rui.
Wagner foi indiciado pela PF por suspeita de ter recebido propina das empresas que fizeram as obras da Fonte Nova. No total, ele teria recebido R$ 82 milhões, sendo que R$ 3,5 milhões em doações legais.
A senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, classificou a operação como "invasão da residência do ex-governador Jaques Wagner por agentes da Polícia Federal" e disse que é mais um "episódio da campanha de perseguição contra o Partido dos Trabalhadores e suas principais lideranças".
"A sociedade brasileira está cada vez mais consciente de que setores do sistema judicial abusam da autoridade para tentar criminalizar o PT e até os advogados que defendem nossas lideranças e denunciam a politização do Judiciário", disse.
Segundo ela, a "escalada do arbítrio" está diretamente relacionada ao crescimento da pré-candidatura do ex-presidente Lula. "Quanto mais Lula avança, mais tentam nos atingir com mentiras e operações midiáticas", afirmou.
Sem partidarismo
Na entrevista coletiva após a operação, a delegada Luciana Matutino, chefe da Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio Financeiros, respondeu aos possíveis questionamentos políticos que poderiam surgir após a ação.
Ela ressaltou que a Polícia Federal é um órgão técnico, sem qualquer motivação política ou partidária. "Na semana passada, uma operação semelhante a essa foi realizada no estado do Paraná, com busca na Casa Civil de um governador que é do PSDB. Somos órgão técnico", afirmou.
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